Entrar Via

A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 181

Hannah Brooks.

Horas depois.

Sentada na poltrona no canto do quarto do hospital, meus olhos focam na imagem de Amelie ainda desacordada. Uma bateria de exames havia sido feita nesse meio tempo, tanto nela quanto nas crianças... um casal de gêmeos, uma menina e um menino de aproximadamente dois meses que estão pequenos demais para a idade que possuem.

O quadro deles se baseava em desnutrição severa e falta de nutrientes suficientes para se desenvolverem.

O de Amelie, por sua vez, me fez paralisar quando o ouvi. Desnutrição severa também, obviamente, mas havia muito mais coisas ali do que eu gostaria de dizer.

Respiro fundo, voltando os olhos para os papéis do exame em minhas mãos.

Leucemia Mieloide Aguda.

A palavra impressa em letras pretas parecia queimar a folha de papel. Estágio avançado. Falência medular. Contagem crítica de blastos. Termos técnicos e frios que, traduzidos para a linguagem da vida real, significavam apenas uma coisa: não havia tempo, não havia cura, não havia milagres. Apenas tratamento paliativo para tentar conter a dor nos meses que lhe restavam.

Um silêncio pesado e sufocante domina a suíte médica do hospital da minha família. Fixo o olhar na mulher estendida naquela cama articulada, ligada a bombas de infusão contínua e a um monitor cardíaco que emite bipe suaves e ritmados. É quase impossível reconciliar a figura debilitada diante de mim com a imagem da irmã que, há menos de um ano, erguia a cabeça com arrogância e tomava tudo o que era meu sem o menor remorso.

Eu passei meses sentindo uma raiva corrosiva. Passei noites imaginando como seria encarar Amelie de novo, o que eu diria, como jogaria na cara dela cada pedaço da minha vida que ela tentou destruir. Eu queria que ela pagasse.

Mas a vida não cobrou em moeda humana.

A vida simplesmente desabou sobre ela com uma violência devastadora.

Olhar para Amelie agora não me traz satisfação alguma. O que eu sinto é um vazio estranho, amargo e pesado. A vingança exige que a outra pessoa esteja de pé para sentir o golpe. Diante de alguém que ja perdeu para doença, a raiva perde completamente o seu propósito.

É uma ironia cruel do destino.

Ela dormiu com Ryan, achando que estava herdando um passaporte para uma vida perfeita ao lado dele, e tudo o que conseguiu foi ser arrastada para o fundo do poço, isolada do mundo e entregue à morte, enquanto eu encontrei a minha verdadeira família, o amor da minha vida e uma força que eu jamais soube que possuía.

O papel em minhas mãos estala discretamente sob a pressão dos meus dedos. O destino já fez o trabalho sujo por mim. Agora, tudo o que resta entre nós duas é a verdade nua e crua da qual nenhuma de nós poderá escapar.

O som do monitor cardíaco altera o ritmo repentinamente. Os bipes suaves e espaçados tornam-se mais rápidos, acompanhados por um arfar fraco e entrecortado vindo da cama.

Amelie começa a se mexer de forma desordenada, a cabeça girando sobre o travesseiro branco enquanto os cílios escuros e pálidos tremem. Os olhos dela se abrem devagar, turvos pela sedação leve, tentando se adaptar à iluminação suave do quarto do hospital.

Ela pisca várias vezes, confusa, encarando o teto gessado, as bombas de infusão ao lado do leito e, finalmente, a minha figura sentada na poltrona do canto.

O choque é imediato. A pupila dela dilata numa onda de pânico cru.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá do Magnata de Gelo