A revelação cai sobre o escritório como uma onda de choque. O silêncio que se segue não é mais feito de dúvida ou luto contido, mas sim de uma tensão elétrica, urgente e perigosa.
Kiara lentamente remove as mãos do rosto. Seus olhos estão vermelhos, mas o choro cede lugar a uma expressão de pura determinação, o olhar afiado dos Voss brilhando com uma chama renovada.
— Colômbia... Hernandez... — Kiara repete os nomes como se tentasse decifrar um enigma complexo, a voz voltando a ganhar o tom firme de quem comanda impérios. — O carteto de negócios da minha família tem conexões antigas na América Latina, Cael. O meu pai investiu pesado em rotas comerciais e logística internacional nos anos noventa. Se esse tal de Hernandez levou a minha irmã para fora do país, ele não usou rotas convencionais. Ele usou o submundo.
— E é exatamente no submundo que o Axel se move com perfeição — respondo, mantendo a calma enquanto ajeito a postura na poltrona. — O Axel já acionou a rede de contatos dele em Bogotá e Medellín. Ele está cruzando o nome desse Hernandez com antigos registros de imigração clandestina, cartéis de tráfego e registros hospitalares privados da época. Nós não vamos dar um único passo em falso.
Volto meu olhar para Hannah. Ela continua imóvel ao meu lado, os olhos profundos fixos nas minhas mãos entrelaçadas às dela. Posso sentir a pulsação acelerada em seus dedos, a mente dela correndo a mil por hora enquanto tenta assimilar a ideia de que a mãe biológica — a garota de quinze anos injustiçada que ela imaginava ter tido um fim trágico naquele banheiro — pode estar respirando em algum lugar deste mundo.
— Hannah?... — chamo suavemente, usando o tom mais carinhoso que tenho para romper o transe em que ela se encontra.
Ela pisca devagar, piscando algumas vezes até que seu olhar encontre o meu. Um suspiro trêmulo escapa por seus lábios ligeiramente cortados, e ela aperta minha mão com uma força surpreendente.
— Eu passei a minha vida inteira achando que não tinha ninguém, Cael... — a voz dela sai baixa, mas carregada de uma firmeza emocionante. — Depois que a verdade sobre a Celeste veio à tona, eu achei que a minha única ligação com o mundo era o Theo, você e a memória de uma mãe que tinha sido destruída. Saber que ela pode estar viva... que ela pode ter passado todos esses anos em algum lugar, presa ou escondida... me dá um motivo completamente novo para lutar.
— E você não vai lutar sozinha — Kiara intervém de imediato, levantando-se da poltrona com uma imponência irretocável. Ela contorna a mesa de madeira e para diante de Hannah, olhando para a sobrinha com um orgulho genuíno. — Os Voss têm recursos ilimitados, Hannah. O meu conselho familiar, a minha segurança privada e cada centavo da herança da minha família estão à sua disposição. Se a Adelaide estiver viva na Colômbia, nós vamos virar aquele país de cabeça para baixo até encontrá-la.
— Com uma condição, Kiara — me levanto logo em seguida, me colocando ao lado de Hannah e encarando a tia dela com autoridade inquestionável. — Essa operação é minha e do Axel. Você pode usar a sua rede de contatos e os recursos dos Voss para mover as peças no exterior, mas a liderança e a segurança da Hannah permanecem sob o meu comando. Sem movimentos precipitados, sem vazar nada para a imprensa e sem arriscar a exposição da minha noiva.
Kiara sustenta meu olhar por alguns segundos, reconhecendo a força da minha posição, e assente com uma concordância silenciosa e solene.


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