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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 171

Cael Sterling.

Três semanas se passaram desde a noite do aniversário do Theo, mas a sensação de que estávamos morando em uma especie de campo minado nunca desapareceu por completo.

Na superfície, a mansão Sterling retomou a sua rotina de opulência e ordem. As marcas do surto da Serena no jardim foram apagadas, o teste de DNA sigiloso feito pela Kiara confirmou com precisão o vínculo biológico de Hannah com a linhagem Voss, e a rotina da casa tem estado com uma leveza sutil com o riso de Theo correndo pelos corredores atrás dos filhote de dogue alemão que ele apelidou de duke.

Aquele ser demoníaco de quatro patas conseguiu comer metade dos meus sapatos em uma semana de convivência. Mas eu não posso mandá-lo embora, Hannah diz que agora ele faz parte da família.

Por falar em família, Celeste e Artur foram enviados para uma cela de contenção especial. Cortesia de Kiara, afinal de contas mantê-los em minha propriedade em cárcere privado poderia trazer-me problemas a longo prazo.

A vida vinham se tornando razoavelmente calma, mas, no fundo, todos nós sabíamos que aquilo era apenas a calmaria antes da tempestade.

Estou sentado na minha poltrona de couro no escritório da Sterling Corp, com a luz do fim de tarde cortando as persianas de vidro do último andar. Diante de mim, relatórios financeiros e contratos milionários repousam intactos.

Minha mente não está nos negócios.

Está a milhares de quilômetros daqui, em solo colombiano, onde Axel e sua equipe de elite passaram os últimos vinte e um dias infiltrados nas sombras do submundo de Bogotá.

O som metálico do meu celular corporativo vibrando sobre a mesa de madeira rompe o silêncio do cômodo. O visor acende exibindo uma linha criptografada sem identificação.

Atendo no primeiro toque, colando o aparelho ao ouvido.

- Fale, Axel - minha voz sai baixa, firme e cortante.

- Está sentado, Cael? - a voz de Axel surge através da estática da linha de satélite, fria, densa e sem qualquer margem para hesitação. - Porque o que eu vou te mandar agora vai mudar o rumo dessa história para sempre.

Sinto o meu corpo inteiro tensionar instantaneamente. Ergo o corpo na poltrona, apoiando os cotovelos na mesa.

- Você encontrou? - pergunto, a pulsação acelerando no peito.

- O nome Hernandez nos levou até uma propriedade privada, fortificada como uma fortaleza, nas colinas ao sul de Bogotá - Axel explica, o som de vento e ruído de rádio tático audíveis ao fundo. - Eles mantêm um esquema de isolamento absoluto. Sem registros, sem visitas, sob a guarda de mercenários armados até os dentes. Minha equipe conseguiu posicionar uma lente de longo alcance de alta resolução no perímetro leste durante a madrugada. Acabei de quebrar a criptografia do arquivo e enviei para o seu terminal pessoal. Abra agora.

Com a mão firme, mas o peito queimando de ansiedade, clico no link de acesso seguro na tela do meu computador. Um arquivo pesado de imagem carrega na tela em alta definição.

A imagem mostra o pátio interno de uma casa de campo de arquitetura colonial na Colômbia, cercada por muros altos e arame farpado. No centro do pátio, sob a luz fraca do sol colombiano, há uma mulher.

Ela veste roupas simples, surradas, em tons que um dia foram claros, ela segura algo entre as mãos, algo que parece ser uma fotografia. Seus cabelos têm fios prateados misturados ao castanho, o rosto carrega marcas profundas do tempo e do isolamento, mas os traços... os traços são uma cópia exata e indiscutível de Hannah.

Os mesmos olhos verdes, a mesma estrutura impecável do queixo, a mesma postura serena que o tempo e a dor não conseguiram apagar.

É Adelaide Voss.

Ela está viva.

Um silêncio absoluto se instala no meu escritório enquanto encaro aquela foto. O ar parece fugir dos meus pulmões por alguns segundos. Vinte e tres anos de luto, de mentiras, de uma história enterrada pela ganância de Celeste e pelas atitudes de Valerie Kensington, ruindo diante dos meus olhos em uma única imagem de satélite.

- Ela é mantida lá sob vigilância constante, Cael - a voz de Axel retorna pelo alto-falante, implacável. - Não é um lar. É um cativeiro. Ela não sabe o que aconteceu no mundo exterior, não sabe da filha e acha que todos a esqueceram.

- Ela está machucada? - pergunto, a fúria começada a subir pelo meu pescoço como veneno puro.

- Não é possivel saber a essa distancia. Mas o perímetro é hostil. Se tentarmos uma abordagem diplomática ou legal, eles somem com ela em trinta minutos por uma rota de fuga clandestina - Axel responde com pragmatismo tático. - Se quisermos tirar a mãe da Hannah de lá com vida, terá que ser por uma operação de extração armada. Uma invasão limpa, rápida e sem deixar sobreviventes para contar a história.

- Não faça nenhum movimento ainda - ordeno com tom definitivo. - Onde você está exatamente?

- Em um galpão tático a dez quilômetros do perímetro da propriedade. Toda a minha equipe tática já está posicionada e equipada.

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