Hannah Brooks.
Saímos da pista de b**e-b**e sob o eco retumbante de metal colidindo e gargalhadas estridentes. Cael caminhava ao meu lado com os passos levemente instáveis e a postura aristocrática visivelmente abalada.
A disputa com os adolescentes havia sido um verdadeiro massacre tático: Ethan, movido por uma sede incontrolável de vingança corporativa, liderou uma coalizão com outros quatro jovens que transformaram o carrinho do meu bilionário no alvo primário de toda a quadra.
Ele até tentou manter a firmeza e a dignidade, manobrando com certa elegância nos primeiros segundos, mas acabou desistindo completamente entre a quinta ou a sexta pancada consecutiva que sofreu na traseira.
Quando finalmente nos afastamos do perímetro emborrachado, Cael levou as duas mãos às têmporas, fechando os olhos por um segundo inteiro para reorganizar os sentidos.
- Céus... isso foi bem mais adrenalina do que eu estava preparado para processar em um domingo de manhã - disse ele, a voz grave soar um pouco rouca enquanto massageava os dois lados da cabeça.
- Vamos, papai! Vamos, vamos... o Theo quer ir no pula-pula! Vamos, papai! - Theo irrompeu entre nós, totalmente alheio ao colapso do pai, agarrando nossas mãos e usando o próprio peso corporal para nos puxar implacavelmente na direção da próxima atração.
Vi uma nesga de puro desespero se formar nos olhos azuis de Cael, e um sorriso involuntário curvou meus lábios. Acomodei a saia do meu vestido e me abaixei até ficar exatamente na altura do meu pequeno furacão de quatro anos.
- Anjinho, o que você acha de a gente comer uma pipoca com chocolate agora? - perguntei com um tom conspiratório.
O efeito foi instantâneo.
O desespero infantil para pular deu lugar a um brilho radiante de empolgação pura.
- PIPOCAAA E CHOCOLATEEEE! - Theo gritou a plenos pulmões, a vozinha aguda ecoando pelo gramado. - Vaamo, Naná! Vamos... vamos! O Theo quer pipoca com chocolate, Nanáaaa!
Gargalhei da empolgação desmedida dele, mentalizando o fato de que, com aquela quantidade absurda de açúcar circulando nas veias, esse menino certamente não dormiria antes das três da manhã.
- Está vendo aquele carrinho bem ali? - perguntei, apontando para o carrinho estilizado de pipoca gourmet a poucos metros de distância. - Eu vou te dar uma missão de menino grande, que é ir até lá e pedir ao moço a pipoca de chocolate com bastante calda... Você consegue fazer isso?
Os olhinhos azuis brilharam ainda mais, e ele balançou a cabeça em um sinal positivo tão firme que quase perdeu o equilíbrio.
- O Theo consegue, Naná! O Theo é menino grande! - declarou ele, estufando o peitinho coberto pela camisa clara e ajustando a postura.
Ele disparou em corrida pela grama em direção ao pipoqueiro, mantendo o foco absoluto na missão. Cael e eu permanecemos lado a lado, observando a caminhada orgulhosa do pequeno com sorrisos inevitáveis no rosto.
- Você literalmente salvou a minha vida - murmurou Cael baixinho, estendendo o braço para envolver minha cintura e me puxar com firmeza para junto do seu corpo. - Eu acho que realmente não tenho mais idade nem reflexos para competir com pré-adolescentes furiosos.
Ele deu uma risada baixa contra o meu cabelo, e eu me virei ligeiramente em seus braços para encará-lo de frente.
- Talvez você tivesse um pouco mais de energia se não estivesse vestindo algo tão terrivelmente quente e formal - rebati, deixando um sorriso brincalhão surgir nos meus lábios enquanto ajustava a gola impecável do seu terno.
- Eu deixei dobrada sobre a cama aquela camisa polo azul-marinho que te deixa absurdamente sexy.
- Azul-marinho, é? - Um meio sorriso lento e perigoso surgiu nos lábios dele, e os olhos azuis se fixaram nos meus.
- Minha cor favorita - dei de ombros, sem desviar o olhar.
- Eu sei disso muito bem... Ainda me lembro perfeitamente daquela lingerie que começou toda essa nossa história - ele murmurou, baixando a voz até que ela se tornasse um sussurro rouco, a milímetros dos meus lábios.
- Isso é só porque você ainda não viu a que eu estou usando por baixo deste vestido hoje - sussurrei de volta, num tom que apenas ele pudesse captar.

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