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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 158

Hannah Brooks.

O contágio da diversão foi imediato e visceral. A quadra, antes um santuário de protocolo estéril, vibrava agora com o som de gargalhadas e o tilintar de faróis metálicos. Aos poucos, outros convidados foram se aproximando da pista.

Não os executivos mais conservadores, claro, mas sim pais sendo literalmente arrastados por criancinhas que não tinham idade nem altura para pilotar sozinhas, além de vários adolescentes que, minutos atrás, ostentavam caras de poucos amigos e agora trocavam olhares cúmplices de pura ansiedade.

Do nada, uma fila animada se formou ao redor da estrutura, como se a nossa iniciativa tivesse sido o choque elétrico necessário para quebrar aquele gelo tedioso que dominava o evento.

Quando finalmente saímos dos veículos, a fila já contava com umas quinze pessoas esperando ansiosamente pela sua vez.

Ethan e Savannah nem pensaram duas vezes: correram para o final da fila jurando que queriam revanche. Mia, por sua vez, foi arrastada por Henry em direção a David. O pequeno queria a todo custo enfiar o pai dentro do carrinho, e Mia concordou de prontidão, já articulando um plano de ataque familiar.

Cael continuava parado na beira da pista. Mãos nos bolsos do calça do terno, postura impecável e aquele meio sorriso no rosto que misturava choque corporativo e um toque inevitável de fascínio.

Nos aproximamos dele, comigo ainda tentando recuperar o fôlego e Theo transbordando a empolgação típica de quem havia devorado uma fatia generosa de bolo de chocolate há menos de uma hora.

- PAPAIIII! PAPAIIII! - gritou Theo, jogando-se sem o menor aviso contra as pernas do pai.

Cael reagiu rápido, pegando o filho nos braços e erguendo-o no ar acima da cabeça, arrancando uma gargalhada aguda do pequeno antes de colá-lo ao peito.

- Papaiii, a Nana fez vruuuuummm... e o Theo gritou e a gente bateu! Pooouuu! E a gente ganhou de todo mundo!

- É mesmo, meu campeão? - Cael respondeu, a voz carregada de uma empolgação genuína enquanto abraçava Theo.

Aproximo-me ainda sorrindo, observando a cena.

A imagem do homem mais poderoso e inacessível daquele lugar, o meu homem, segurando o serzinho mais caótico da face da Terra - que eu, contra todas as probabilidades, aprendera a amar com todo o meu coração - era algo que sempre desarmava minhas defesas.

- Você chegou tarde - digo, cruzando os braços e mantendo o tom divertido. - Deveria ter vindo mais cedo. Teria corrido com a gente.

Ele abriu um sorriso largo, e aqueles olhos azuis intensos me fitaram com uma mistura irresistível de carinho e provocação.

- Me lembre de nunca, sob hipótese alguma, te deixar dirigir a minha Lamborghini - retrucou ele, rindo baixo enquanto estendia o braço livre para envolver minha cintura e me puxar para perto.

- Ah, não se preocupe. Eu realmente prefiro aquela Mercedes que você comprou no mês passado - provoquei de volta, inclinando-me para a frente e roubando-lhe um selinho rápido.

- ECAAAAAA!

A voz estridente de Theo ecoou bem no meio do nosso rosto, naquele tom clássico de protesto infantil que nos fez rir instantaneamente.

- Papaiii! - Theo chamou, abandonando o drama do beijo e segurando o rosto de Cael com as duas mãozinhas gordinhas. - O Theo quer ir no carrossel... Vamos, papai! Vamos, papai! A Naná vai também!

Cael gargalhou da urgência e da chantagem emocional do pequeno, cedendo sem qualquer resistência.

Ele colocou Theo no chão e, no segundo seguinte, o garoto agarrou nossas mãos - a minha à esquerda, a de Cael à direita - nos puxando com toda a força do seu corpo de quatro anos em direção as outras atrações.

E sim, eu não estava brincando ou exagerando quando disse que Cael havia transformado os terrenos da mansão em um parque de diversões de grande porte.

Conforme avançávamos, o cenário era impressionante: haviam barracas estilizadas com jogos de tiro ao alvo, canaletas de pesca de patinhos recheadas de brindes de luxo, e carrinhos gourmet distribuindo pipoca quentinha e algodão doce rosa em hastes iluminadas.

A única coisa que faltava era uma trupe de palhaços. Segundo o próprio Cael me dissera durante o planejamento, palhaços estavam estritamente fora do contrato de locação.

Eu nem sequer cogitei retrucar ou questionar a decisão, levando em consideração o pavor profundo e secreto que aquele homem de negócios inabalável nutria por palhaços desde a infância.

- Olhai, Naná! O cavalo grande! - Theo apontou para a estrutura giratória reluzente que brilhava sob a luz do sol, puxando-nos mais rápido antes mesmo que Cael pudesse ajeitar o paletó.

O carrossel era um espetáculo à parte. Diferente dos modelos convencionais, a estrutura reluzia em tons de dourado e marfim, montada sobre uma plataforma giratória de madeira polida. Cavalos esculpidos à mão, reluzindo sob o sol de domingo, subiam e desciam em um ritmo suave ao som de uma melodia instrumental que flutuava pelo jardim.

- Eu quero avião papai... o avião preto, papai! Aquele ali! - Theo gritou, apontando frenadamente para um suntuoso cavalo de crina prateada que subia e descia no nível mais externo da plataforma.

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