Hannah Brooks.
A mansão estava irreconhecível, tomada por uma multidão de rostos desconhecidos que flutuavam pelo salão em conversas fúteis e risadas ensaiadas.
Garçons perfeitamente uniformizados transitavam de um lado para o outro com bandejas prateadas, servindo taças de champanhe e coquetéis sem álcool para os adultos. Ao menos isso - o bar opcional era uma pequena concessão, já que nem Mia nem eu fomos capazes de fazer Cael desistir da ideia insana de transformar o aniversário de quatro anos do Theo no evento do ano.
O lugar abrigava tanta gente vestida com rigor excessivo que eu, sinceramente, não saberia dizer se aquilo era a celebração de uma criança ou um daqueles jantares de gala pomposos aos quais Cael insistia que me levaria em algumas semanas.
Pego uma taça de espumante da bandeja de um garçom que passava e começo a me esquivar entre as rodas de conversa. Sério, é uma festa infantil; por quais diabos de motivos todo esse povo sentiu a necessidade de vir trajado em ternos alinhados e vestidos de alta costura?
Que saco.
Nos fundos da propriedade, a cena era ainda mais surreal. Nos jardins, uma estrutura monumental havia sido erguida: praticamente um parque de diversões inteiro transportado para o terreno da mansão. Tenho quase certeza de que a única razão de Cael não ter instalado uma montanha-russa e uma roda-gigante de porte real foi a pura falta de tempo hábil para a montagem.
Conhecendo o homem que tenho ao meu lado, ele teria feito exatamente isso e não teria sentido um pingo de remorso.
Certo, então vocês devem estar se perguntando: se existe um parque de diversões inteiro montado e funcionando a todo vapor nos jardins, isso significa que as crianças estão se divertindo pra valer, certo?
Errado.
Completamente errado.
Os brinquedos reluzentes estão todos ligados, as luzes piscam e a música ecoa, mas os pequenos convidados parecem intimidados e engomados demais até mesmo para se aproximarem dos brinquedos. Tipo, há uma pista inteira de carrinho de b**e-b**e montada exclusivamente para este evento.
Como diabos esses seres em miniatura, vindos de outro mundo, não estão pulando de animação?
Meus olhos varrem a multidão engomada até encontrarem os de Mia.
Ela está parada em um canto estratégico, presa em uma espécie de diálogo monótono ao qual claramente não está prestando a menor atenção. Para piorar a situação, está cercada por mulheres carregadas de maquiagem pesada - completamente inadequada para um domingo de manhã - e exibindo expressões austeras de quem chupou limão no café da manhã.
Percebendo minha presença, ela pede licença com educação gélida e caminha na minha direção. Seus passos são ligeiros, porém medidos, mantendo a postura exigida pelo ambiente. Nos encontramos no meio do caminho, e a primeira coisa que ela faz ao se aproximar é revirar os olhos com força.
- Isso está um saco inacreditável - diz ela, sem fazer esforço para esconder o tédio profundo que transparece em sua voz. - Onde diabos o Cael estava com a cabeça quando decidiu que isso aqui era uma festa adequada para uma criança?
Aqueles olhos castanho-esverdeados, idênticos aos do seu irmão Thomas, me encaram transbordando enfado.
- Não olhe para mim. Com certeza a cabeça dele não estava entre as minhas pernas quando planejou essa palhaçada - dou de ombros com total sinceridade, tomando um gole generoso do meu espumante. - De qualquer forma, eu concordo plenamente com você. Isso está insuportável. Como é possível essas crianças verem um parque inteiro à disposição e nem sequer pensarem em aproveitar? O espaço do jardim está simplesmente vazio.
- Pais rígidos - Mia responde calmamente, cruzando os braços. - Boa parte das pessoas reunidas aqui pertence à alta sociedade ou ocupa cargos influentes. Os filhos aprendem os protocolos desde cedo; são criados sob um rigor absoluto desde a berço.
- Continuo achando uma tremenda besteira - retruco, revirando os olhos e terminando meu espumante em um único gole decisivo. - Onde estão os seus sobrinhos mais velhos?
- A Savannah e o Ethan? Provavelmente entediados até a alma em algum canto reservado - ela dá de ombros. - E o Theo com o Henry estão praticamente trancafiados no berçário.
- Que diabos... Eu juro que vou cometer um homicídio antes que este dia acabe - digo, a impaciência tomando conta de mim. - Quer saber? Vamos mostrar a essas crianças como realmente se diverte em uma festa.
Sorrio de lado, ostentando um tom desafiador, e Mia capta minhas intenções no mesmo instante. O rosto dela se ilumina, um sorriso ainda maior surge em seus lábios e uma expressão visível de alívio substitui a feição entediada.
- Eu vou buscar o Ethan e a Savannah - diz ela, o entusiasmo finalmente despontando na voz.
- E eu vou resgatar o Theo e o Henry.
Nos separamos imediatamente. Ela segue em busca dos mais velhos, enquanto a missão de resgatar os pequeninos fica sob minha responsabilidade. Caminho de volta para o interior da mansão, cruzando novamente os grupos de convidados que sustentam conversas monótonas sobre negócios e política.
A música clássica que toca ao fundo em volume ambiente apenas reforça a atmosfera gélida. Eu juro que vou matar o Cael por ter transformado o aniversário de quatro anos do próprio filho em um grande evento de networking.
Atravesso o corredor e chego ao espaço improvisado como berçário. Ao abrir a porta, encontro Theo e Henry sentados juntinhos em um canto do tapete. Theo segura com firmeza o dragão de pelúcia que eu lhe dei de presente, mantendo-o protegido contra o peito. Ao seu lado, Henry abraça um boneco do Homem-Aranha, o presente que Mia havia escolhido para ele.

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