Narradora.
A saliva atingiu em cheio a bochecha esquerda do homem.
O silêncio que se seguiu no cômodo foi tão absoluto que parecia capaz de sufocar. Axel não se sobressaltou.
Ele sequer piscou.
Com uma lentidão exasperante, ele tirou um lenço de linho perfeitamente dobrado do bolso interno do paletó. Passou o pano com calma pelo rosto, limpando a pele sem pressa alguma, e em seguida jogou o tecido no chão áspero, pisando em cima dele. Caminhou devagar até a parede oposta, encostando as costas no concreto frio e retirando um maço de cigarros do bolso.
Puxou um cigarro, acendeu-o com o zippo de prata e deu uma tragada longa e profunda, observando Valerie por entre a fumaça densa que subia lentamente em espirais. Seus olhos gélidos encaravam a mulher fixamente, analisando cada respiração arfante dela como quem observa um inseto se debatendo sob uma lente de aumento.
Ele não disse uma única palavra durante longos e tortuosos trinta segundos. Apenas fumou, apreciando o espetáculo da desintegração psicológica da mulher à sua frente.
A porta rangeu pesadamente quando os homens de Axel finalmente entraram no cômodo, arrastando um grande tonel de plástico azul cheio de água até a borda, o som do líquido balançando agressivamente ecoando pelo espaço abafado.
Eles posicionaram o recipiente pesado logo ao lado da cadeira de metal de Valerie, e o vapor frio da água gelada pareceu reduzir ainda mais a temperatura da sala.
- Eu lhe dei a oportunidade de escolher o caminho fácil - disse Axel, jogando a bituca do cigarro no chão e encarando Valerie com um olhar desprovido de qualquer traço de humanidade. - Mas pessoas como você só entendem a linguagem da dor.
Axel fez um gesto sutil com dois dedos. Imediatamente, os dois homens avançaram, segurando os ombros de Valerie com força bruta e desatando rapidamente as amarras do tronco apenas o suficiente para dobrar seu corpo para a frente.
- Não! Espera! Me solta, seu desgraçado! Por favor, não! - berrou ela, a audácia desaparecendo instantaneamente, substituída por um pânico primitivo e ensurdecedor enquanto os homens seguravam seu pescoço e seus cabelos com firmeza inflexível.
- Vamos ver quanto tempo o seu orgulho dura debaixo d'água, Valerie - declarou Axel, a voz gélida e indiferente selando o início do pesadelo enquanto a cabeça da mulher era afundada sem piedade na água congelante do tonel.
O borbulhar violento do ar escapando pelo nariz e pela boca de Valerie preencheu o silêncio da sala, abafado pela densidade do líquido gelado. O corpo da mulher se contorceu em espasmos violentos, as pernas amarradas batendo inutilmente contra os pés da cadeira de metal, enquanto os braços contidos pelos homens de Axel permaneciam imóveis sob uma pressão implacável.
Axel permaneceu encostado contra a parede, observando a cena com a apatia estrita de um espectador desinteressado. Ele não piscou. Não demonstrou o menor traço de desconforto diante da dor visível da ex-enfermeira. Contou mentalmente vinte e cinco longos e agonizantes segundos antes de erguer levemente o indicador da mão direita.
Sob o comando silencioso, o homem que segurava os cabelos de Valerie a puxou bruscamente para cima.
A mulher emergiu rompendo a superfície da água com um hausto desesperado, tossindo violentamente, engasgando-se com a própria saliva e com a água que havia entrado por suas vias aéreas.
O líquido congelante escorria em mechas emplastradas sobre seu rosto, misturando-se às lágrimas e ao ranho que manchavam sua pele pálida. Ela arfava em acessos de tosse dolorosos, o peito subindo e descendo em espasmos descontrolados.
- A respiração humana é uma coisa fascinante, não acha? - a voz de Axel cortou o som da respiração desajeitada de Valerie, soando suave, perfeita e assustadoramente próxima. Ele deu dois passos lentos à frente, inclinando o corpo na direção da mulher encharcada. - Basta alguns segundos sem oxigênio para que toda aquela coragem falsa se desfizesse como poeira. A sensação de afogamento é instintiva, Valerie. O cérebro entra em pânico absoluto porque sabe que a morte está literalmente a milímetros de distância.
- V-você... seu... monstro... - ela conseguiu articular entre tosses dolorosas, a voz rouca, trêmula e falhada, os dentes batendo ruidosamente por conta do frio intenso da água congelante.
- Eu posso ser o que você quiser que eu seja - respondeu Axel com um meio sorriso gélido que não alcançava seus olhos. - Mas ainda sou o único homem nesta sala que pode permitir que você continue respirando. Vamos tentar novamente, sem a encenação. O que aconteceu com a garota que deu a luz em 17 de agosto, no banheiro da maternidade?
Valerie fechou os olhos com força, o corpo todo sacudindo pelo choque térmico e pelo pavor. Ela tentou puxar o ar, tentando recompor o resto do orgulho que lhe sobrava, mas o medo de voltar para o tonel era uma força física que a estrangulava por dentro.
- Eu não... eu não sei ... - sussurrou ela em um fio de voz choroso, tentando desesperadamente ganhar tempo. - Era... ela estava desacordada... eu peguei a criança... quando voltei ela... havia sumido...
- Eu não sou o tipo de homem que gosta de mentiras. - Axel suspirou com uma decepção teatral, balançando a cabeça devagar. - Valerie. Você me prometeu que essa informação iria para o túmulo, e pelo visto decidiu honrar essa promessa estúpida.
Com um aceno imperceptível, a mão pesada do capanga voltou a se fechar nos cabelos encharcados da mulher.
- Não! Não, por favor! Espera! - o grito de Valerie foi interrompido abruptamente quando sua cabeça foi cravada novamente no fundo do tonel com uma brutalidade ainda maior.
Desta vez, a água espirrou pelas bordas do recipiente de plástico, molhando o chão de concreto cru. O pânico de Valerie se tornou visivelmente mais agudo; a ausência repentina de ar combinada com a água gelada fez com que seus músculos entrassem em colapso.
Ela se debateu com uma força descomunal para alguém da sua idade, a cadeira chacoalhando ruidosamente contra o piso, o som abafado de seus gritos afogados ecoando como um murmúrio desesperado vindo das profundezas.
Axel não se moveu. Deixou o tempo correr. Treinta segundos. Quarenta segundos. Cinquenta segundos.
O corpo de Valerie começou a perder a força dos espasmos, os movimentos tornando-se lentos, pesados e descoordenados à medida que o cérebro começava a desligar pela falta de oxigênio.
Somente quando a mulher estava à beira de perder a consciência, Axel fez o sinal.

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