Cael Sterling.
Eu não tenho um filho, eu tenho um gravador mirim que repete tudo o que ouve nas piores horas possíveis.
Passo as duas mãos pelos meus cabelos de forma exasperada, me virando lentamente para encarar meus pais, que ainda permanecem completamente atônitos e paralisados com o que acabaram de ouvir da boca do próprio neto. Minha mãe me encara com aquele semblante inconfundível, a expressão que diz, muito antes que ela possa proferir em palavras, o sermão colossal que já me aguarda.
— Cael Sterling... — a voz dela ecoa, baixa, rígida e carregada com a autoridade inquestionável que só a matriarca de uma família possui. — O que diabos você anda ensinando ao meu neto na minha ausência? Isso definitivamente não é algo que uma criança daquela idade aprenda sozinha. Certamente o Theo deve ter ouvido esse palavreado em algum lugar.
Ela fala em tom severo de repreensão, mantendo os olhos fixos em mim em busca de explicações imediatas. Respiro fundo, sentindo o peso do cansaço acumulado e sabendo perfeitamente que a conversa que está por vir será excessivamente longa.
— Essa é apenas uma das muitas "palavras novas" que ele aprendeu ao longo do dia — digo, fazendo uma careta inevitável e indicando com o gesto de mão o sofá para que meus pais finalmente se sentem. — O dia foi extremamente corrido e caótico. Tivemos algumas visitas inesperadas e, no meio de tudo isso, ainda teve a arte que os garotos conseguiram fazer com a máquina de barbear quando não estávamos por perto.
Continuo, me acomodando na poltrona e tentando, em vão, desfazer a tensão acumulada nos meus músculos.
— Em algum momento inoportuno, Theo deve ter ouvido mais do que deveria.
Meu pai arqueia as sobrancelhas em uma dúvida silenciosa, enquanto minha mãe estreita os olhos na minha direção em um sinal claro e imperativo para que eu continue e lhes conte detalhadamente sobre os acontecimentos do dia.
É óbvio que eu me dou ao luxo de cortar e ocultar algumas partes da história, como o fato de os pais da Hannah ainda estarem devidamente trancados no canil da propriedade. Porque sim, aqueles velhos desgraçados só irão sair daquele lugar miserável quando toda essa situação estiver definitivamente resolvida.
Conto-lhes sobre a chegada repentina e turbulenta dos pais de Hannah, sobre a saúde dela estar levemente debilitada — e é claro que levei um puxão de orelhas imediato da dona Lilian por não estar cuidando adequadamente da minha noiva.
Contei também sobre ter solicitado os serviços de investigação de Axel novamente, o que fez meu pai franzir o rosto e fazer uma careta de desaprovação não muito legal. Eu não o culpo por isso; Axel Stone trabalha no limite perigoso da lei e, às vezes, cruza essa linha sem pestanejar quando suas investigações exigem resultados rápidos. Mas apenas quando é estritamente necessário. Ou assim eu acho.
E, por fim, contei por alto sobre as descobertas perturbadoras que fizemos ao longo do dia.
O silêncio denso que se instala no ambiente após as minhas últimas palavras é quase palpável, preenchendo cada canto da sala de estar.
— Isso tudo parece o roteiro mirabolante de um daqueles filmes dramáticos que sua mãe ama assistir à tarde — a voz do meu pai ecoa quebrantando o clima, usando exatamente aquele tom característico que ele sempre emprega quando quer aliviar uma conversa que, de certa forma, se tornou pesada demais. — E o que a Hannah acha de tudo isso?
— Ela é incrivelmente teimosa... passou o dia inteiro me garantindo que estava bem e que não ligava para essa confusão toda — faço uma breve pausa, encarando a figura imponente dos meus pais. — Mas eu sei que ela se importa no fundo. Ela está apenas fingindo uma força que não tem porque não quer me sobrecarregar ainda mais.
Engulo em seco e continuo:

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá do Magnata de Gelo