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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 151

Mia Sterling.

O caminho do aeroporto até a casa de Cael foi, de certo modo, tranquilo. Na verdade, foi exatamente o tempo necessário para que ele pegasse os meninos e sumisse pelo resto do dia junto com a Hannah. Porque, sejamos completamente sinceros, nenhum de nós - nem David, nem Cael, nem eu e muito menos a Hannah - estava minimamente preparado para a reação de Lilian Sterling quando ela visse os netos com os cabelos raspados no zero, parecendo dois pequenos recrutas militares.

O motivo para o pânico era simples, embora fosse aquele tipo de assunto que ninguém ousava verbalizar: existia uma regra não escrita, mas fortemente instaurada na família, para que Theo e, de brinde, Henry mantivessem os cabelos razoavelmente compridos.

E tudo porque a senhora Lilian simplesmente amava os cachos de ambos. Ela sempre fez questão de repetir, em cada reunião de família, que aqueles garotos pareciam dois anjos perfeitos com seus olhares travessos e os cachos loiros soltinhos.

No caso de Henry, ele havia herdado os cachos diretamente da mãe. Mariana fora uma mulher incrível sob todos os aspectos. Ela infelizmente faleceu durante o parto e, bem, minha mãe sempre nutriu um carinho quase maternal e profundamente especial por ela. Como David e Cael cresceram praticamente como irmãos, Mariana acabou entrando para o núcleo da família no momento em que se casou com David.

E não, antes que alguém ouse me julgar, eu nunca tive ciúmes dessa relação ou da memória dela. Como eu disse, Mariana era fantástica. E, além disso, David e eu só nos aproximamos de verdade como casal há cerca de um ano - ou talvez até menos que isso.

Mas voltando ao desastre iminente: meus pais finalmente chegaram do voo, se acomodaram nos quartos de hóspedes e estavam absolutamente loucos para matar a saudade dos netos. David e eu trocamos aquele olhar cúmplice de quem sabe exatamente que o circo vai pegar fogo no instante em que minha mãe constatar a "arte" que os garotos aprontaram na cabeça. A saída estratégica de Cael e Hannah com as crianças foi a nossa única salvação momentânea; meio que conseguimos ganhar um tempo precioso e, quem sabe, articular uma forma suave de preparar minha mãe para o choque.

Ou pelo menos foi isso o que ingenuamente pensamos.

No exato momento em que o som da pesada porta de entrada se abrindo ressoou pela casa, acompanhado pelos gritos eufóricos da famosa dupla do caos ecoando pelo corredor, eu soube que estávamos prestes a ser devorados vivos pela matriarca dos Sterling.

- Meus amores chegaram! - minha mãe anunciou imediatamente, ajeitando a postura e abrindo aquele sorriso radiante que toda avó ostenta quando sabe que está prestes a mimar os netos até o limite.

Ela se acomodou melhor no estofado do sofá, abrindo os braços e exibindo sua melhor expressão de acolhimento. David e eu voltamos a trocar um olhar rápido, um diálogo silencioso expressando um pavor tão evidente que parecia gravado em nossas testas: *fudeu*.

Theo e Henry entraram pela sala correndo desgovernados, ostentando sorrisos largos e banguelas, o rosto ligeiramente sujo com pequenas manchas de ketchup e segurando duas espadas retráteis de *Star Wars* cada um. E no exato milissegundo em que minha mãe colocou os olhos no novo e radical "penteado" dos netos, eu vi a cor sumir de suas bochechas e sua expressão carinhosa se transformar em um espanto puro e genuíno.

- VOVÓÓÓÓ! - os dois garotos gritaram em uníssono, ignorando qualquer hesitação e se jogando com força nos braços abertos da minha mãe, transbordando toda a alegria pura de quem não faz a menor ideia do caos diplomático que acabou de criar.

- Meus meninos... - minha mãe conseguiu articular, esforçando-se para manter aquele tom suave que sempre reservava aos netos. - Como vocês... como vocês cresceram.

Mesmo ainda em estado de choque e encarando os crânios raspados com os olhos arregalados, ela envolveu os dois em um abraço apertado, fez cócegas nas costelas deles e cumpriu todos aqueles rituais carinhosos de avó que sempre os faziam gargalhar alto.

Assim que se soltaram dela, os dois saíram disparados para abraçar meu pai com o mesmo entusiasmo avassalador, pulando na estrutura da poltrona de couro para envolver o pescoço dele, enquanto pediam de forma exasperada para que ele contasse novamente suas antigas aventuras como capitão pirata.

Meus pais possuem um iate e, sempre que os visitamos durante os meses de verão, costumamos navegar pela costa. Por conta disso, na cabeça de Theo e Henry, a embarcação é na verdade um navio pirata altamente secreto e disfarçado.

- Eu tenho infinitas histórias para contar aos meus pequenos piratas - meu pai respondeu com um riso franco, começando a fazer cócegas naqueles dois mini-humanos que já estavam se acabando de rir e rolando pelo estofado.

- A gente não é pequeno, vovô! - protestou Theo imediatamente, escorregando da poltrona, se afastando um passo e apanhando a espada de plástico que brilhava em azul no chão.

- É, vovô... a gente já é menino grande - completou Henry, ficando lado a lado com o primo e ostentando aquele mesmo sorriso sapeca e vitorioso. - A gente até ganhou espada de verdade... olha! ELA BRILHA!

- É, VOVÔ! BRILHA NO ESCURO! - Theo gritou empolgado, dando um giro desajeitado no taco de taco de piso e apontando o brinquedo iluminado na direção da minha mãe, que ainda tentava processar a cena. - A Naná disse que a gente agora é guerreiro de verdade!

- E guerreiro de verdade tem que ter espada! - completou Henry com orgulho, erguendo a sua iluminação verde no ar como se fosse um troféu invencível.

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