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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 15

Cael Sterling.

O furacão de cabelos loiros - dourados como o próprio sol - invade meu escritório sem pedir licença. A porta mal tem tempo de terminar de bater contra a parede antes que o som agudo de seus saltos agulha comece a rasgar o silêncio que, até poucos segundos atrás, era exclusivamente meu. Cada passo ecoa pelo piso de madeira como pequenos disparos, rápidos, irritados, determinados a anunciar que a calmaria da manhã acabou.

Levanto os olhos devagar.

Hailey.

Os olhos dela estão cravados em mim com uma intensidade que não exige muito esforço para ser interpretada. Raiva. Talvez algo mais profundo que isso. Ódio, quem sabe. Vindo dela, no entanto, não chega a ser a coisa mais surpreendente do mundo.

Dou um trago lento em meu charuto, sentindo a fumaça preencher meus pulmões antes de escapar preguiçosamente pelo ar. Enquanto isso, me endireito na cadeira, apoiando as costas no encosto de couro e observando aquele pequeno espetáculo particular com uma curiosidade quase entediada. Minhas sobrancelhas se erguem levemente, como se eu estivesse assistindo a algo vagamente interessante.

- Querida... a que devo a honra dessa ilustre visita?

Pergunto com a mesma calma de quem comenta sobre o clima.

E, curiosamente, essa tranquilidade parece fazer o sangue dela ferver ainda mais.

- Achei que estivesse em Milão pelos próximos dias e-

Não tenho tempo de terminar a frase.

Em um piscar de olhos ela está do outro lado da sala. No seguinte, está diante de mim.

E então vem o impacto.

A palma da mão dela encontra meu rosto com um estalo seco que corta o ar do escritório. Minha cabeça vira levemente para o lado com a força do tapa, e por um segundo inteiro o mundo parece reduzir-se ao som abrupto do golpe.

Meu charuto voa de meus lábios como um projétil derrotado, descrevendo um pequeno arco antes de cair em algum ponto esquecido do chão.

O cheiro da fumaça ainda paira no ar.

Hailey recua dois passos calculados, como se estivesse encerrando um movimento perfeitamente coreografado. Cruza os braços diante do peito com a expressão firme de quem acredita, sem a menor sombra de dúvida, que está absolutamente certa.

Levo a mão ao rosto lentamente.

A pele arde sob meus dedos, quente o suficiente para que eu saiba que provavelmente já está vermelha. Respiro fundo, uma única vez, deixando o ar entrar e sair de meus pulmões com o máximo de controle possível.

Porque, neste exato momento, o impulso mais primitivo dentro de mim está implorando para reagir.

Para agarrá-la pelo pescoço.

Para fazê-la entender com absoluta clareza com quem diabos ela está lidando.

Mas eu não faço nada disso.

Minha mandíbula se contrai por um instante antes que eu a relaxe outra vez.

Meus pais criaram um homem. Não um covarde. Muito menos um desgraçado que levanta a mão contra uma mulher - mesmo quando ela claramente acabou de merecer uma resposta à altura.

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