Hannah Brooks.
Caminho pelos corredores silenciosos do hospital, meus passos ecoando suavemente no chão brilhante enquanto sigo em direção à saída. O lugar está quase vazio àquela hora da madrugada, iluminado por aquelas luzes brancas e frias que fazem qualquer pessoa parecer mais cansada do que realmente está.
Estou prestes a atravessar as portas automáticas que me separariam do frio noturno de Toronto quando ouço alguém chamar meu nome.
— Senhorita Brooks! Senhorita Brooks, por favor, espere!
A voz feminina ecoa atrás de mim, clara o suficiente para me fazer parar no meio do passo.
Fecho os olhos por um segundo, respirando fundo.
O que será que eu fiz agora?
— Ótimo... — murmuro baixinho para mim mesma. — Porque aparentemente hoje o destino decidiu brincar comigo até o amanhecer.
Viro-me devagar para encarar a dona da voz.
Uma mulher está parada alguns metros atrás de mim. Ela parece ter algo em torno de quarenta anos, talvez um pouco mais. Usa um uniforme que eu não saberia exatamente identificar — elegante demais para ser de hospital, formal demais para parecer casual. Há algo extremamente organizado nela, desde a postura até o sorriso educado que repousa em seus lábios.
— Boa madrugada, senhorita Brooks. — ela diz com educação impecável. — Meu nome é Martina Diaz. Sou motorista particular do senhor Sterling.
Franzo levemente a testa.
Antes que eu possa perguntar qualquer coisa, ela continua:
— Ele me pediu para acompanhá-la até sua residência e garantir que a senhorita chegue em segurança.
Ela faz um pequeno gesto educado com a mão.
— Por favor, me acompanhe.
E então simplesmente começa a caminhar em direção à saída do hospital, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.
Eu permaneço parada por um segundo, piscando algumas vezes, tentando processar o que acabou de acontecer.
Eu poderia recusar.
Poderia inventar alguma desculpa.
Poderia até perguntar por que diabos um homem que eu conheci por alguns minutos decidiu mandar uma motorista particular me buscar no hospital.
Mas a verdade é que estou tão cansada, tão exausta mental e fisicamente depois do dia que tive, que recusar essa carona quase parece um pecado.
Então apenas sigo atrás dela.
Saímos do hospital e caminhamos em silêncio pelo estacionamento iluminado pelos postes de luz da rua. O ar frio da madrugada de Toronto imediatamente invade meus pulmões, fazendo minha pele arrepiar.
Mas meus passos simplesmente travam no meio do caminho quando vejo o carro para o qual estamos indo.
Um Rolls-Royce Wraith Black Badge está estacionado ali.
Impecável. Negro como a própria madrugada. Brilhando sob a luz dos postes como se tivesse sido colocado ali apenas para ser admirado.
Aquilo não é apenas um carro.

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