Cael Sterling.
- CAEL STERLING.
A voz dela ecoa outra vez pelo escritório, afiada o suficiente para cortar qualquer pensamento que ainda vagueie pela minha cabeça. Sou puxado de volta dos meus próprios devaneios como alguém arrastado pela gola, forçado a encará-la novamente.
- Você está fazendo isso de novo, seu filho da puta... - continua, a frustração vibrando em cada sílaba. - Toda vez é assim. Eu mal começo a falar e você simplesmente se desliga. Sua mente vai para qualquer lugar do planeta, menos para essa conversa. Eu estou cansada disso.
Há algo diferente no tom dela agora.
Não é apenas raiva.
É cansaço.
Um tipo de frustração mais pesada, daquelas que não nascem em um único momento, mas que se acumulam lentamente ao longo de meses... talvez anos.
Solto o ar devagar, respirando fundo antes de responder.
- Meu amor... - começo, apoiando as costas novamente na cadeira. - preciso que você entenda que eu ainda não desenvolvi habilidades psíquicas para ler mentes.
Minha voz sai firme, controlada... e inevitavelmente carregada com aquela pitada de ironia que eu sei - com absoluta certeza - que a deixa ainda mais furiosa.
- É justamente por isso que estou perguntando. - continuo, abrindo levemente as mãos em um gesto de paciência estudada. - O que diabos eu fiz dessa vez para desencadear esse desastre?
Os olhos dela se estreitam.
- Eu sabia. - diz, quase em um sussurro descrente. - Sabia que não deveria ter esperado o mínimo de você, Cael.
Há decepção na voz dela agora. Uma decepção crua, sem maquiagem.
- Era o lançamento da minha marca de joias, Cael. - continua, cada palavra saindo mais pesada que a anterior. - O desfile oficial. A estreia. Toda a imprensa estava lá. Investidores, estilistas, compradores... todo mundo que precisava estar presente estava lá.
Ela dá uma pequena pausa.
E então completa:
- Todos... menos o meu namorado.
O silêncio que se instala na sala dura apenas um segundo.
Mas é o suficiente.
Porque então a ficha cai.
- Puta merda.
As palavras escapam de mim antes mesmo que eu consiga filtrá-las.
- Merda... Hailey, me perdoa. - digo, passando a mão pelo rosto enquanto finalmente me levanto da cadeira. - Eu realmente não me dei conta de que era esse fim de semana.
Ela solta uma pequena risada sem humor.
- Você nunca se dá conta, Cael. Esse é exatamente o problema.
A raiva ainda está lá, mas agora vem misturada com algo mais quieto. Mais frio.
- Tudo sempre gira em torno de você. Da sua vida. Das suas decisões. Do seu mundo. - ela continua, cruzando os braços com mais força contra o próprio corpo. - E eu estou farta disso. Completamente farta de ter que me diminuir para tentar caber nesse espaço.
As palavras ficam suspensas no ar por um instante.
- Mesmo que fosse apenas um relacionamento de fachada... - ela acrescenta, e por um segundo seus olhos parecem mais cansados do que irritados - eu realmente achei que, em algum momento, poderíamos ao menos ter respeito um pelo outro.
Ela balança a cabeça lentamente.
- Mas pelo visto eu estava completamente enganada.
- Ei, espera... - digo rápido, contornando a mesa ao tentar me aproximar dela. - Hailey, eu não... juro que não foi por mal. Esse fim de semana foi um caos completo e-
- Acabou, Cael.
A frase sai seca.
Definitiva.

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