Cael Sterling.
Por mais que a minha vontade mais visceral fosse fazer aqueles vermes pagarem por cada gota do sofrimento que infligiram à Hannah ao longo de todos estes anos, eu jamais sujaria as minhas mãos - tampouco mancharia a linhagem do meu sobrenome - com criaturas tão miseráveis e insignificantes.
O que, evidentemente, não significava que as atrocidades deles passariam impunes. Cada ação cobra seu preço, e eu pretendo fazê-los pagar por tudo que fizeram a ela, com juros e um pouco mais.
A Porsche Cayenne em um tom sóbrio de cinza metálico estaciona em minha garagem exatamente as 11h30. Permaneço de braços cruzados, observando em silêncio enquanto Axel Stone desembarca do veículo.
Ele carrega uma mala preta rígida, vestindo roupas casuais que contrastam com o ar perigoso que emana. No rosto, ostenta aquele sorriso de canto característico - o sorriso de quem está mais do que disposto a foder com a vida de alguém, e ainda fazer isso sorrindo.
Investigador privado, detetive brilhante e um amigo de longa data.
Na adolescência, o infeliz já era um fofqueiro de marca maior; a única diferença é que, com o tempo, resolveu canalizar essa habilidade desprezível em um negócio absurdamente rentável. Ele lidera uma firma privada de investigação recheada com os mentes mais afiadas do ramo.
Foi a Axel que recorri quando decidi que Hannah seria babá do Theo, e precisava descobrir se ela não era nenhuma maluca, com passado sombrio.
Ele também foi uma das pessoas que me ajudou a ter uma vitória esmagadora no processo de divórcio anos atrás, após revirar a vida de Serena de cabeça para baixo e desenterrar podres dos quais nem ela própria tinha conhecimento.
Ele caminha na minha direção com a postura ereta, firme, e aqueles olhos atentos que parecem mapear cada detalhe do ambiente.
- Cael Sterling... - ele pronuncia meu nome banhado no sarcasmo refinado que lhe é tão natural. - Demorou a me procurar, velho amigo. Já estava me perguntando quando você finalmente daria ar da graça para me pedir para destruir a vida de mais alguém.
- Axel Stone... Você só fala merda - respondo, estendendo a mão para cumprimentá-lo com um aperto firme. - Já faz alguns meses.
- De fato. Mas eu sei que você não moveria um único dedo para me chamar se não fosse algo de extrema gravidade - ele afirma, e a absoluta certeza impregnada em sua voz entrega o quanto ele já está eufórico para mergulhar em sua próxima caçada.
- Vamos entrar. Temos muito o que conversar - digo, dando um passo para o lado e indicando a passagem.
Caminhamos pelo hall imponente, deixando para trás as escadarias imensas em direção ao corredor reservado que conduz ao meu escritório particular.

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