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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 136

Hannah Brooks.

Na minha mente, as peças do quebra-cabeça da minha vida inteira começam a se encaixar com uma precisão aterrorizante, cirúrgica e incrivelmente cruel.

A rejeição constante desde a minha infância. O olhar de repulsa velado que Celeste me direcionava sempre que eu conquistava uma nota alta ou um elogio.

A forma fria e distante como Arthur me tratava, como se a minha simples existência fosse uma obrigação indesejada e um fardo pesado demais para carregar.

Mas, acima de toda aquela podridão... a imagem da minha avó surge na minha memória como um farol solitário no meio da minha tempestade.

Minha avó.

A única pessoa daquela família que realmente me abraçava com calor. A única mulher que olhava para mim com uma tristeza profunda refletida nos olhos e sussurrava, enquanto acariciava meus cabelos, que eu era "especial demais para aquele lugar".

A mulher que, três meses antes de dar o último suspiro, alterou o testamento no mais absoluto segredo e deixou a casa da família exclusivamente no meu nome, sem reservar um único centavo para o próprio filho.

A vovó não estava apenas sendo generosa.

- Ela sabia... - murmuro baixo, a voz não passando de um sopro rouco que mal corta o ar. - A MINHA AVÓ SABIA?! ELA SABIA DE TUDO?!

O meu grito ecoa com uma potência devastadora no meio da cozinha, muito mais alto e rasgado do que as vozes exaltadas das duas pessoas que passei a vida inteira chamando de pai e mãe.

- AQUELA VELHA MALDITA DESCOBRIU MESES ANTES DE MORRER! - Celeste grita de volta, sem hesitar por um segundo, a amargura e o ódio visceral presentes em sua voz fazendo as paredes do cômodo tremerem. - Ela ameaçou me entregar para a polícia! Disse que ia destruir o meu nome! Eu precisava acabar com ela antes que ela cometesse uma loucura. Não foi nada difícil envenenar aquele estorvo aos poucos e fingir que foi apenas uma morte natural pelo peso da idade!

Ela dá uma gargalhada aguda, sem demonstrar o menor resquício de temor, culpa ou remorso. Pelo contrário: suas feições se contorcem e suas palavras se tornam ainda mais gélidas, repletas de um orgulho macabro.

- E mesmo depois de morta, aquela desgraçada continuou a me assombrar... - ela me encara fixamente, com um rancor puro estampado na face. - Tinha que ter deixado a propriedade para você! A sua irmã deveria ter herdado aquela casa! A Amelie, sim, é uma neta legítima! Você nunca passou de um erro miserável que eu me arrependo amargamente de ter cometido!

Um tremor gélido e viscoso percorre toda a minha espinha, congelando o sangue nas minhas veias. Porém, à medida que o impacto do choque inicial começa a evaporar, a dor pungente no meu peito para de sangrar e se cristaliza por completo.

A fragilidade que ameaçava me derrubar desaparece, dando lugar a uma calmaria assustadora, fria e cirúrgica.

O copo de vidro em minha mão é pousado sobre a bancada de mármore com uma lentidão calculada. Não há ruído. Não há tremor. Apenas a frieza absoluta de quem se recusa terminantemente a quebrar, mesmo que, por dentro, um turbilhão violento de sentimentos esteja destruindo minhas entranhas.

Uma mentira...

A minha vida inteira não passou de uma maldita e grotesca mentira.

- Você é um monstro... - minha voz ecoa baixa, gélida, tomada por um tom perigoso que eu mesma desconheço. - Você arruinou a minha vida inteira por causa da porra de um casamento falido... VOCÊ ME TIROU DA MINHA MÃE PARA SATISFAZER O SEU EGO DOENTIO! SÓ PORQUE ERA INCAPAZ DE GERAR UM FILHO SAUDÁVEL!

- FODA-SE AS SUAS ACUSAÇÕES, GAROTA! VOCÊ TERIA SIDO ABANDONADA POR AQUELA PIRRALHA SE EU NÃO TIVESSE TE COMPRADO! - Celeste grita de volta, adiantando o corpo na minha direção enquanto o ódio transborda por seus poros. - VOCÊ PROVAVELMENTE TERIA SIDO JOGADA EM ALGUMA VALA QUALQUER EM UM BAIRRO MEDÍOCRE! EU SALVEI A SUA VIDA! VOCÊ DEVERIA ME AGRADECER DE JOELHOS... E é exatamente isso o que você vai fazer.

Ela pronuncia a última frase baixando drasticamente o tom de voz, carregando cada sílaba com uma autoridade gélida, a típica arrogância de quem ainda acredita piamente que tem algum direito sobre mim.

- Você vai fazer isso... - ela continua, dando um passo lento à frente e ajeitando a postura. - A Amelie está grávida. Aquele estorvo do seu ex-noivo sumiu no mapa no exato segundo em que descobriu a gestação. Você vai retornar para aquela casa hoje mesmo, vai largar essa vidinha de merda que acha que vive aqui e vai cuidar da criança. A sua irmã é jovem demais para encarar uma maternidade e...

Eu não a deixo terminar.

Uma gargalhada alta e cristalina ecoa pelo ambiente, cortando as palavras dela no meio. Eu gargalho com vontade, como se tivesse acabado de escutar a melhor e mais absurda piada da minha vida - e, no fundo, foi exatamente o que aconteceu.

- Eu juro que não sei quem é o seu traficante, Celeste, mas se eu estivesse no seu lugar, evitava comprar drogas com ele a partir de hoje - digo com o sarcasmo mais afiado da minha coleção, ainda rindo diante daquele absurdo surreal. - Essa foi excelente... Eu? Criar filho dos outros? Por acaso fui eu quem fodi e engravidei aquela garota?

Continuo rindo daquela palhaçada sem tamanho. Sinceramente, a minha vida de fato virou o roteiro de uma comédia barata de terror, e o roteirista definitivamente enlouqueceu de vez.

- Quer dizer então que agora a Amelie é "jovem demais" para criar um filho, mas na hora de abrir as pernas para aquele embuste na minha cama ela foi mulher suficiente, não é? - deixo o veneno puro escorrer por cada palavra que sai da minha boca. - Sinto muito, mas não vai rolar. Não estou nem um pouco com vontade de bancar a babá de ninguém ainda mais de um filho daqueles dois.

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