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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 135

Hannah Brooks.

O silêncio denso que se instala com a saída de Cael e Theo é quebrado pela voz enjoativa de Celeste, que ecoa pelo ambiente, lembrando-me de que aqueles dois ainda estão ali, parados no meio da cozinha como malditas estátuas.

- Você não deveria falar daquela forma na frente de uma criança, filha... Ele parece estar em uma idade em que...

- Celeste, sinceramente, de todo o meu coração... vai à merda - digo com impaciência, revirando os olhos e encarando-a com a minha melhor cara de tédio. - Para com essa merda de teatro de mãe preocupada e diz logo o que vocês estão fazendo aqui... e, mais ainda, como diabos me encontraram.

Ela pisca algumas vezes, fazendo a melhor cara de ofendida que consegue, como se aquele teatro de quinta categoria fosse capaz de arrancar qualquer réstia de sentimento de mim.

- Filha... por favor, nós só queremos...

- Chega dessa palhaçada - digo com firmeza, injetando na voz o tom mais frio que possuo. - Vocês vão dizer que porra estão fazendo aqui, ou eu vou chamar a segurança agora mesmo e fazer com que sejam arremessados para fora desta propriedade.

- Você não ousaria - a voz do meu genitor ecoa, baixa, mas carregada de um tom velado de ameaça. - Ouça bem, garota... Você deve estar se achando muito esperta por estar trabalhando em um lugar como este... mas deixe-me te dizer uma coisa: você não vai durar muito tempo aqui. Acha mesmo que o seu chefe vai querer alguém como você cuidando daquela criança? O que você acha que ele faria se descobrisse o mal horrendo que você causou à sua própria irmã e ao pobre Ryan?

Um riso rasgado escapa dos meus lábios, repleto de um escárnio tão puro que faz o rosto de Arthur corar de raiva.

- Hoje eu não sei - digo calmamente, caminhando com passos lentos por eles em direção a um dos armários superiores. Pego um copo de cristal e o encho até a borda com o suco de laranja da jarra sobre o balcão. - Mas, no dia em questão, ele pagou dez mil dólares para quem subisse ao apartamento do Ryan apenas para pegar a minha bolsa... só para que eu não precisasse cansar as minhas pernas subindo as escadas.

Sorrio de canto ao recordar aquela noite memorável em que aceitei embarcar nessa loucura ao lado do Cael.

- Ele também aplaudiu o show de camarote, me elogiou pelo espetáculo e fez questão de me fazer assinar o contrato para ser babá do filho dele - continuo tranquilamente, dando um gole demorado no suco, saboreando a acidez adocicada enquanto me encosto na bancada. - Cael é bem excêntrico quando quer... Mas eu nem entendo o porquê de vocês estarem tão revoltados com isso. O sonho da Amelie sempre foi ser influencer, não era? Eu apenas realizei o sonho dela! O vídeo e as fotos dela e do Ryan na cama se tornaram virais no país inteiro... Ela deveria me mandar uma carta de agradecimento.

Solto uma gargalhada curta, encarando ambos, que me devoram com os olhos transbordando ódio.

- A filha de vocês tem um talento nato para ser atriz de filme adulto...

- Sua desgraçada! Pirralha ingrata! - a voz de Celeste explode pela cozinha, carregada de um rancor quase doentio. - VOCÊ É IGUAL À SUA MÃE! UM FARDO NOJENTO PARA ESTA FAMÍLIA! EU NUNCA, JAMAIS DEVERIA TER TE TRAZIDO PARA A MINHA CASA... VOCÊ DEVERIA TER SIDO ABANDONADA NO LIXO, COMO AQUELA VADIA IMUNDA PLANEJAVA FAZER!

Celeste perde totalmente o controle, desfazendo qualquer postura elegante enquanto grita aos quatro ventos insultos atrás de insultos. No entanto, não consigo me abalar pelas ofensas baixas. Não desta vez. Minha mente trava por completo em uma única frase, que passa a repetir em um loop infinito e doloroso dentro da minha cabeça, como um mantra maldito:

"Você é igual à sua mãe..."

Um nó áspero e sufocante se forma na minha garganta enquanto ela continua a despejar veneno, sem se importar nem um pouco com o teor das barbaridades que está revelando.

Ela parece disposta a tudo para me atingir com palavras... ao ponto de inventar uma mentira absurda ou confessar um segredo macabro apenas para tentar me desestabilizar.

- Você está blefando - digo com firmeza, ainda que sinta um leve e involuntário tremor na mão que segura o copo de vidro. - Essas são as suas cartas, Celeste? Você realmente acha que conseguiria me atingir com algo tão baixo e...

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