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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 137

Cael Sterling

Eu sabia que a presença de David era necessária no exato momento em que aquelas pessoas entraram pela porta da minha casa. Ninguém que surge do nada em plena manhã de terça-feira, após meses sem contato, costuma trazer algo de bom consigo.

Notícias ruins têm um jeito diferente e rápido de chegarem até seu suposto destino.

Eu sabia que não deveria ter deixado Hannah sozinha com aquela gente, merda... eu notei os sinais, a tensão nos ombros dela, a palidez repentina. Mas eu precisava tirar Theo daquela cozinha antes que ele aprendesse mais palavras que claramente não estávamos nem um pouco a fim de explicar o significado.

Foi pura sorte Mia e David terem chegado naquele exato momento em que eu saía da cozinha. Os dois vinham juntos, perto demais para a minha paciência, acompanhados por Henry, parecendo uma grande família feliz.

Certo, eu ainda quero matar meu melhor amigo por ele supostamente estar pegando a minha irmã, já que ainda não tenho provas concretas e prefiro acreditar que foi apenas uma coincidência...

Mas isso nem vem ao caso.

Nós, David e eu, assistimos a tudo que se passava naquela cozinha através da sala das câmeras. Quando tudo começou a sair do controle e vi a atmosfera escalar, percebi que era a minha hora de interferir.

Mesmo que, quando Hannah acorde, ela insista que dava conta de tudo sozinha - o que eu sei que é uma mentira deslavada. Ela é forte... eu sei disso, todos à sua volta sabem, mas acontece que tentar carregar o mundo nas costas uma hora cobra o preço, e desta vez o corpo dela resolveu emitir a fatura.

- Foi um episódio claro de síncope vasovagal provocado por exaustão extrema - a voz da doutora Rivera, amiga de Mia, chega aos meus ouvidos, me tirando dos meus devaneios. - Seu corpo apresenta sinais de fadiga aguda, senhorita Brooks. O desmaio desta manhã foi a forma que seu sistema nervoso autônomo encontrou para dar um sinal claro de que precisa parar.

A doutora faz uma pausa, ajeitando os óculos enquanto encara a figura de Hannah, que está sentada em minha cama, lençóis sobre as pernas e alguns travesseiros atrás de suas costas para deixá-la mais confortável.

- Os últimos dias foram... intensos - ela fala, a voz relutante como se não quisesse admitir que seu próprio corpo a traiu. - Mas eu tenho tentado me alimentar bem e...

- Não se trata apenas de alimentação, Hannah - a voz da doutora Rivera ecoa, um leve tom de repreensão. - Mia me disse que você é estudante de medicina... então devo presumir que você sabe que boa alimentação sem descanso adequado, hidratação e controle do estresse não é o suficiente. O seu débito energético está elevado.

- Eu compreendo - ela murmura baixinho. - Eu só... não consegui, quero dizer, tenho tentado conciliar meu horário, mas tem sido bastante exaustivo.

- Eu compreendo, a faculdade de Medicina costuma sugar nossas forças até a última gota - a doutora Rivera dá um breve sorriso, mas logo retoma a postura séria. - Mas você precisa lembrar de se cuidar. Não há como cuidar dos outros quando negligenciamos a nós mesmas. Se você colapsar, não haverá médica para ninguém.

Ela faz uma pausa, pegando uma caneta em sua bolsa e rabiscando algo em um bloco de papel com firmeza.

- Eu aferi sua pressão e ela ainda está um pouco baixa, embora seus batimentos tenham estabilizado. Você precisa de descanso absoluto pelas próximas setenta e duas horas. Nada de estresse ou esforço físico. Isso se não quiser tirar uma semana de férias em um leito de hospital.

A doutora Rivera destaca a receita e o pedido de exames do bloco e se vira para mim, me entregando o papel com uma letra que para mim é tecnicamente ilegível.

- Garanta que ela tome os remédios e a solução de reidratação nos horários corretos, senhor Sterling, e que permaneça deitada. E para a senhorita, também estou passando um exame de sangue completo - hemograma e glicemia -, para sabermos se está tudo bem internamente e descartar qualquer anemia.

Hannah encara a doutora com olhos semicerrados, a expressão dividida entre a frustração e o orgulho ferido, mas não diz nada, apenas assente com a cabeça.

- Obrigada, doutora.

- Cuide-se, garota - a médica diz, enquanto guarda suas coisas. - Qualquer alteração, como febre ou novos desmaios, tornem a me contar imediatamente.

Logo a doutora Rivera se despede de nós, deixando o quarto junto com Mia. O silêncio se instala no ambiente imenso, quebrado apenas pelo eco baixo da TV ligada em um desenho animado qualquer, que, sejamos sinceros, eu só coloquei porque sei que ela gosta e isso a distrai.

- Não era preciso chamar uma médica - ela resmunga, cruzando os braços sobre o peito e fixando o olhar na tela da TV, o semblante levemente fechado em uma birra mal disfarçada. - Eu estou bem. Foi só muita coisa para processar de uma vez só...

- Claro que sim... - digo, deixando um tom de sarcasmo ácido fluir livremente na minha voz enquanto me aproximo da beirada da cama. - Você simplesmente apagou e desmaiou nos meus braços porque seu corpo estava no limite da exaustão garota. Tentou tanto cuidar de mim e de todo mundo ao redor nos últimos dias que esqueceu do detalhe básico de cuidar de si própria.

- É porque você mesmo não se cuida - ela dá de ombros, sustentando meu olhar com aquela teimosia admirável que sempre me tira do eixo. - Eu só estou fazendo o meu papel cuidando do que é meu.

- Então você está admitindo com todas as letras que eu sou seu? - pergunto com a voz baixa, dando um passo lento em sua direção e deixando um sorriso sugestivo e lento brincar no canto dos meus lábios.

- Achei que isso já estivesse mais do que óbvio a essa altura - ela diz, erguendo o queixo e usando aquele tom desafiador de sempre, que incendeia cada pedaço de mim. - Você me quis e conseguiu, querido. Agora não vai se livrar de mim tão cedo, se acostume com a ideia.

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