Hannah Brooks.
Arregalo os olhos em um pavor absoluto, girando o pescoço devagar para olhar para o Cael, que parece ter visto um fantasma surgir do chão da sala.
- Pora... - ele repete, a voz saindo mais concentrada e pausada desta vez, como se ele estivesse testando a acústica do ambiente e ajustando a articulação da língua para acertar o tom perfeito.
- Theo... - Cael intervém no mesmo segundo, dando um passo à frente. A voz grave tenta soar suave e maternal, mas carrega um tom sutil e inconfundível de desespero absoluto.
- Porra! - o garotinho exclama, iluminando o rosto ao conseguir soltar o xingamento caótico com uma clareza impecável. - Porra, papai! É porra! Eu consegui, eu aprendi, papai! Eu aprendi!
Ele começa a dar puleirinhos de alegria no piso de mármore, radiante como se tivesse acabado de gabaritar uma prova difícil.
- Theo, pelo amor de Deus... - A voz de Cael ecoa novamente, os olhos azuis implorando por socorro enquanto ele se aproxima em passos rápidos, tentando manter a calma no meio do incêndio. - Você não pode repetir isso...
- ...adia! - O pequeno abre a boca mais uma vez, e eu sinto o meu coração ter um infarto completo dentro do peito, a minha alma quase deixando o meu corpo.
- Va...dia! Vadia, papai! - Ele pula com ainda mais entusiasmo, comemorando a descoberta do século como se tivesse encontrado o mapa de um tesouro escondido:
- Vadia, papai! Vadia, vadia!
- Theodore Sterling... - A voz do Cael desce uma oitava, firme, mas carregada daquela repreensão desesperada de quem está prestes a ver o controle da casa ruir por completo. - Você não pode repetir essas coisas, entendeu? Essas palavras são...
- Nana... - Theo se vira inteiramente para mim, ignorando com uma facilidade humilhante a tentativa do pai de educá-lo, e segura a barra da minha saia com aqueles olhinhos azuis brilhando de curiosidade pura. - O que é vadia?
Sinto o sangue sumir do meu rosto, o ar trancar na minha garganta e o meu coração dar um baque violento no peito. E não, definitivamente não foi de um jeito bom.
- É uma palavra muito feia, anjinho... que você não pode repetir de jeito nenhum - digo, forçando a minha voz a sair calma e firme, tentando agarrar o último resquício de sanidade que ainda me resta.
- É uma palavra feia, Nana? - ele pergunta, arregalando aqueles olhos azuis enormes em um misto de surpresa e inocência.
- É sim, meu amor... Muito feia - garanto, assentindo devagar.
- Então o Theo não pode falar? - ele insiste, me encarando com uma curiosidade genuína, processando a informação na cabecinha de quatro anos.
- Não, meu anjo. Você não pode.
- Então por que você disse, Nana?
Eu paraliso no mesmo segundo. O meu cérebro dá um tilt completo enquanto me amaldiçoo internamente em todas as línguas possíveis.
Como diabos eu não me controlei?
Como fui capaz de soltar esse vocabulário na frente dele?

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