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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 133

Hannah Brooks

- Filha... - A palavra saiu da boca da mulher que eu deveria chamar de mãe em um sussurro arrastado, quase suplicante. - Hannah, minha menina...

Dou um passo para trás, balançando a cabeça em um sinal negativo contínuo enquanto os encaro. Um turbilhão sufocante de sentimentos toma conta do meu peito, uma mistura venenosa de raiva, mágoa e rancor corroendo minhas entranhas, até que uma camada espessa e gelada se instala sobre o meu coração.

É a minha proteção. A armadura que levei anos para construir contra eles.

Volto meus olhos devagar para Cael. Ele se mantém estático no mesmo canto da cozinha, os braços largos cruzados sobre o peito, ostentando uma expressão austera, quase indecifrável. Mas eu o conheço.

Vejo a tensão no contorno da sua mandíbula e o brilho perigoso no fundo das suas pupilas. Ele está controlando cada fibra do próprio corpo para não intervir.

- Hannah... - A voz do homem que um dia eu ousei chamar de pai ecoa no espaço, quebrando o silêncio tenso.

Não há firmeza na postura dele. Não resta nem sombra daquela arrogância velada de quem sempre se achou o dono do mundo. Arthur parece menor, curvado sob a opulência de um ambiente que grita que ele não pertence dali.

- Não. - A palavra sai rasgando a minha garganta, carregada de uma repulsa que me faz tremer, enquanto volto os meus olhos para o casal à minha frente. - Vocês não têm o menor direito de estar aqui. Não têm o direito de reaparecerem na minha vida como se nada tivesse acontecido... Não depois de terem me expulsado de casa só porque eu me recusei a arruinar o meu futuro para financiar a porra de um carro zero para aquela vadia que vocês escolheram como filha favorita!

- Filha, por favor... - A voz da minha genitora ecoa quebrada, trêmula, enquanto as mãos dela se juntam na altura do peito.

Mas eu conheço esse truque barato. É exatamente o mesmo tom dramático e vitimista que ela usou durante anos quando queria me fazer carregar o peso da culpa por preferir estudar a colocar o "bem-estar familiar" em primeiro lugar.

O mesmo tom rasgado que ela usava para me punir veladamente sempre que eu conquistava algo que a Amelie era incompetente demais para conseguir.

Sinto o meu estômago embrulhar. Uma dúvida corrosiva e dolorosa me atinge, fazendo o meu peito doer.

- Por favor, me diga que não foi você quem os trouxe aqui... - Minha voz sai baixa, gélida, e desvio o olhar para a figura imponente do Cael, buscando alguma firmeza em meio ao meu caos. - Cael...

- Eu jamais faria isso com você, garota - ele responde imediatamente. A voz dele sai suave, baixa, mas impregnada de uma verdade inquestionável. Aqueles olhos azuis intensos não piscam ao me encarar. - Eles estavam parados em frente ao portão principal desde a madrugada. A cozinheira achou que se tratava de algum assunto urgente e os deixou entrar.

Estreito os olhos, engolindo em seco antes de voltar a encarar o casal. Sinto a névoa do pânico dar lugar a algo frio, cirúrgico e metódico se instalando dentro de mim. A fragilidade sumiu. Sobrou apenas a casca dura que a rejeição deles me obrigou a moldar.

- O que vocês querem aqui? - pergunto, injetando na minha voz o tom mais gélido e impassível que consigo produzir. - Acho que fui perfeitamente clara, Celeste, quando olhei bem nos seus olhos naquele dia e disse que não tinha mais família. Você mesma fez questão de gritar que não tinha mais uma filha... Então me diga, com que direito você aparece no meu local de trabalho para armar um circo miserável desses?

- Hannah, por amor de Deus... - Ela tenta avançar meio passo, os olhos transbordando em lágrimas de crocodilo que não me comovem nem por um segundo. - Filha... nós... a sua irmã... nós precisamos de ajuda. Por favor, meu amor, apenas nos dê a chance de conversar. Nós precisamos de...

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