Entrar Via

A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 132

Cael Sterling.

O silêncio que se instala na sala de estar é pesado o suficiente para sufocar um homem.

Gabriel esconde o rosto atrás do copo de uísque, dando um passo discreto para trás enquanto tenta inutilmente segurar o riso. Sebastian simplesmente balança a cabeça, soltando um suspiro que deixa claro a sua sentença: você está por conta própria, irmão.

Inclinei a cabeça um pouco mais para trás na poltrona, sustentando o olhar com a tempestade de olhos escuros parada a centímetros de mim.

- Há quanto tempo você está aí atrás, garota? - pergunto, tentando devolver à minha voz aquela firmeza acostumada, embora a dor de cabeça da medicação e a ameaça iminente de dormir no sofá estraguem metade do meu charme.

- O tempo suficiente para ouvir que você acha que eu sou uma desequilibrada que precisa ser controlada para não ir parar na cadeia

- Hannah rebate, desfazendo a postura de braços cruzados para dar dois passos e contornar a poltrona. Ela para na minha frente, erguendo o queixo com aquela arrogância deliciosa que me enlouquece. - E o tempo suficiente para entender que você não aprendeu absolutamente nada com a semana que passou entubado naquela UTI.

- Amor, eu só estava tentando...

- Tentar proteger as pessoas escondendo a verdade e agindo sozinho é exatamente o que te colocou em um leito de hospital, Cael! - ela me interrompe, a voz subindo uma oitava, firme e sem espaço para réplica. - Você quase morreu porque achou que podia carregar o mundo nas costas sem pedir ajuda. E agora, na primeira oportunidade que tem, tenta fazer a mesma idiotice de novo?

- Ela tem um ponto, cara - Gabriel sussurra do canto, levantando a mão.

- Cala a boca, Gabriel! - rosnamos eu e a Hannah ao mesmo tempo, sem sequer olhar para ele.

Gabriel faz um gesto de zíper nos lábios e recua mais dois passos em direção à porta, onde Mia continua encostada, assistindo a tudo como se estivesse na primeira fileira de um cinema.

Respiro fundo, sentindo o peito estalar levemente. Olho fixamente para a mulher na minha frente. A pele dela ainda carrega um traço sutil do cansaço das noites mal dormidas no hospital, mas a postura é inabalável.

Ela está vestindo uma das minhas camisas sociais - que fica absurdamente grande nela, caindo até a metade das coxas - e tem o cabelo preso em um coque bagunçado.

É a visão mais linda e perigosa que já entrou nesta casa.

- Eu não acho que você seja desequilibrada - digo, a voz descendo para aquele tom baixo e sincero que só uso com ela. Estendo a mão devagar, alcançando seus dedos frios e puxando-a levemente para mais perto, ignorando o olhar de aviso que ela me dá. - Eu sei do que você é capaz, Hannah. Eu vi o que você fez. E a última coisa que eu quero nesta vida é ver a Serena arrastar o seu nome ou a sua vida para a lama por causa dos meus erros do passado.

Hannah solta um suspiro pesado.

O olhar feroz dela vacila por um segundo, cedendo espaço para a exaustão e para a preocupação genuína que ela tenta esconder atrás da marra.

Ela não puxa a mão da minha. Em vez disso, dá mais um passo à frente, colando os joelhos contra os meus enquanto estou sentado.

- A Serena não vai arrastar o meu nome para lugar nenhum, Cael - ela sussurra, inclinando o corpo e apoiando a outra mão no ombro da minha poltrona, encarando-me bem de perto. - Porque eu arrasto aquela daquela piranha no asfalto antes dela ousar mexer com quem eu amo denovo. Nós vamos resolver isso Cael. Juntos. Se você der mais um passo sozinho pelas minhas costas, eu juro que pego as minhas coisas e volto para o apartamento da Jane no mesmo minuto.

A ameaça ecoa com um peso assustadoramente real. Eu sei que ela cumpre.

- É uma chantagem injusta - resmungo, fechando os dedos ao redor da cintura dela e puxando-a para o meu colo com um cuidado calculista, sentindo o peso leve do corpo dela se acomodar sobre mim.

- É a minha condição - ela rebate, roçando o nariz no meu, o tom impregnado de uma doçura provocante que me desmonta por completo. - E sobre a sua punição... a porta do meu quarto continua trancada para você hoje à noite, senhor Sterling.

- Hannah, a casa é minha.

- Mas a chave do quarto está no meu bolso - ela dá um sorriso vitorioso, dando um tapinha leve no meu peito antes de se levantar do meu colo com uma facilidade irritante.

Ela se vira para os meus irmãos, recuperando a postura de autoridade na mesma hora:

- Sebastian, Gabriel... a reunião de negócios secreta acabou. O paciente precisa tomar a medicação das oito e comer a refeição leve que a cozinheira preparou. Sem uísque, sem estresse e sem planos mirabolantes para salvar o mundo antes do jantar.

- Sim, senhora - Gabriel responde na hora, batendo uma continência debochada e puxando Mia pelo braço. - Nós já estamos indo. Boa sorte, Cael. Você vai precisar.

- Boa noite para vocês também - Sebastian ri, caminhando até a porta e deixando um aceno antes de sair com os outros dois, fazendo a porta social da mansão se fechar com um baque surdo.

A sala finalmente fica em silêncio.

Hannah se vira para mim, cruzando os braços e arqueando uma sobrancelha, esperando que eu me levante para ir até a cozinha.

Fico em silêncio por alguns segundos, observando a figura pequena e implacável na minha frente. Um sorriso de lado, lento e derrotado, surge nos meus lábios.

- Eu estou começando a achar que cometi um erro grave ao te dar aquela carta, garota - digo, me levantando devagar da poltrona e sentindo o corpo ainda responder com um pouco de lentidão.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá do Magnata de Gelo