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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 130

Hannah Brooks.

A enfermeira limpa a garganta mais uma vez, ajustando os óculos no rosto com uma expressão que oscila entre o choque e o profissionalismo forçado. Ela caminha até o suporte de soro, checando o fluxo do medicamento sem encarar diretamente nem a mim, nem o paciente devasso ao meu lado.

- Vim apenas checar os parâmetros e aplicar a medicação das dez, senhor Sterling - ela diz, a voz excessivamente formal enquanto manuseia o acesso no braço dele. - E lembrar que o paciente precisa de repouso absoluto, sem esforço físico... ou conversas agitadas.

- Pode deixar, enfermeira. Eu já estava prestes a colocar o paciente para dormir - respondo, sentindo minhas bochechas queimarem enquanto tento me recompor na poltrona, ajeitando o casaco com a maior dignidade que me resta.

Cael nem pisca. Mantém aquele sorriso contido e cafajeste no canto dos lábios, os olhos azuis e compridos fixos em mim enquanto a mulher termina o procedimento.

- Qualquer alteração, é só chamar no botão - ela avisa, lançando um último olhar desconfiado para nós dois antes de girar sobre os calcanhares e sair do quarto, fazendo a porta de vidro correr em um deslize suave.

No segundo em que ficamos sozinhos novamente, me levo à frente na poltrona e aponto o indicador na direção do nariz dele.

- Você é um ridículo, Cael Sterling. Um completo desavergonhado. A mulher quase teve um teto preto com a sua baixaria!

- O quê? - ele murmura, a voz falhando em uma risada fraca que faz seu peito subir devagar. Ele fecha os olhos por um segundo, absorvendo o cansaço que a medicação recém-aplicada começa a trazer. - Eu só estava sendo sincero, garota. É o meu método de recuperação.

- Seu método de recuperação vai te levar direto para a junta médica por assédio moral contra a minha sanidade - rebato, mas o tom azedo já perdeu a força.

Ver a cor voltando ao rosto dele, ouvir o ritmo firme e calmo do monitor cardíaco e testemunhar aquele humor arrogante de volta ao seu olhar é um bálsamo que desmonta qualquer raiva que eu ainda estivesse tentando sustentar.

Cael abre os olhos devagar, a névoa do sedativo leve começando a pesar suas pálpebras outra vez. O sorriso debochado desaparece, dando lugar a uma sobriedade profunda. Ele estende a mão grande e fria sobre o lençol, com a palma voltada para cima em um convite silencioso.

Eu não hesito. Me levanto da poltrona, me aproximo do leito e encaixo meus dedos nos dele. Ele aperta minha mão com a pouca força que tem, mas com uma firmeza desesperada, como se ancorasse toda a sua existência ali.

- Obrigado... - a voz dele sai tão baixa e rasgada que é quase um sussurro para a penumbra do quarto. - Por não ter desistido do estrago que eu sou.

Sinto minha garganta apertar de novo, mas desta vez não há lágrimas. Apenas uma certeza dura e inabalável.

- Eu não vou desistir de você, Cael. Mas a partir de amanhã, as regras mudam - digo, inclinando meu corpo até ficar a centímetros do rosto dele, olhando bem no fundo daqueles olhos azuis. - A Serena jogou a carta dela. Mas ela não faz ideia do tamanho do problema que comprou ao tentar mexer com a minha família.

Os olhos de Cael se fixam nos meus, uma centelha do homem implacável que ele é reluzindo por trás do cansaço do remédio.

- O que você fez com a carta, Hannah? - ele pergunta, o tom descendo uma oitava.

Puxo o ar devagar, dando um sorriso pequeno e frio, lembrando do papel guardado no bolso do meu casaco.

- Está comigo. Amanhã, quando o Sebastian e o Gabriel voltarem, nós vamos sentar todos nesta sala. Você vai contar a verdade sobre o que aconteceu e nós vamos traçar o plano para esmagar aquela mulher antes que ela consiga dar o primeiro passo na justiça.

Cael solta um longo suspiro, os dedos apertando os meus um pouco mais forte antes de o remédio finalmente começar a puxá-lo para baixo.

- Você é perigosa, garota... - ele murmura, as pálpebras pesando até se fecharem por completo.

- Eu aprendi com o melhor - sussurro de volta, roçando meus lábios na testa quente dele e permanecendo ali, de pé, segurando sua mão no escuro enquanto o som calmo do monitor confirma que, desta vez, ele finalmente está em paz.

》☆☆☆☆《

A luz do sol invade o quarto da através da fresta da cortina, trazendo a claridade e queimando meus olhos cansados. Minhas costas protestam com uma pontada dolorosa no instante em que me espreguiço na poltrona do hospital, onde passei a noite inteira encolhida, acordando a cada meia hora para checar se o peito do Cael continuava subindo e descendo de forma ritmada.

Ele continua dormindo, ou ao menos finge está.

A expressão no rosto dele finalmente está tranquila, desprovida daquele vinco de dor e angústia que o acompanhava desde o colapso.

O som suave da porta de vidro correndo me faz girar a cabeça. O médico chefe da UTI entra no quarto, acompanhado por um jovem residente de medicina que carrega uma prancheta pesada contra o peito.

- Bom dia, Hannah. Como o nosso paciente passou a noite? - o médico pergunta em um tom baixo, ajeitando o estetoscópio no pescoço.

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