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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 129

Hannah Brooks.

Horas depois.

- Tem certeza de que não quer trocar o turno? - a voz de Gabriel ecoa pelo quarto, tomada por aquele tom cuidadoso de quem ainda está tateando o terreno sem saber direito como falar. - Você está exausta, Hannah. Dá para ver de longe.

- Só se for para o seu irmão acordar de madrugada e tentar dar uma de Incrível Hulk de novo - respondo, balançando a cabeça em um sinal negativo firme enquanto me ajeito na poltrona do hospital. - Pode ir, Gabriel. Vai ficar tudo bem. Eu passo a noite aqui e, amanhã pela manhã, vou em casa tomar um banho e trocar de roupa.

- O meu irmão é um homem de uma sorte inexplicável - ele diz, deixando soltar um breve riso anasalado, ainda segurando um lenço no nariz meio inchado. - Misto quente ou ovos mexidos com bacon?

- Ovos mexidos - respondo sem piscar, com toda a certeza do mundo. - E um café preto bem forte, sem açúcar.

- Sem café.

A voz rouca ecoa no meio do breve silêncio do quarto. É baixa, áspera, arranhando o ar como se cada sílaba custasse um esforço brutal na garganta inflamada. Mas é uma voz absolutamente inconfundível.

- Ela precisa dormir - Cael continua, a fala pausada, o som saindo grave e fraco. - Fica... insuportável quando não dorme.

Estreito meus olhos na mesma hora, virando o rosto para encarar o dono da voz, que claramente deveria estar de olhos fechados descansando.

- Você deveria estar dormindo - digo em um tom claro de repreensão, cruzando os braços. - Precisa descansar, Cael.

- Eu dormi por uma semana, garota - ele rebate, puxando o ar devagar, usando aquele velho e familiar tom resmungão que me faz querer esmurrá-lo e beijá-lo ao mesmo tempo.

- Eu quero sair deste lugar. Tenho uma vida para tocar e...

- Se você ousar mover um único músculo que seja, Cael Sterling, eu juro pelos céus que aplico um sedativo em você com força suficiente para te fazer dormir por mais uma semana inteira - digo, meu tom ecoando com uma firmeza cortante que não aceita discussões. - E acredite em mim, querido: como estudante de medicina, eu não estou blefando.

Os olhos azuis de Cael se arregalam levemente pelo choque da ameaça, e ele lentamente volta o rosto para Gabriel na outra extremidade da cama, como quem pede uma ajuda silenciosa.

- Ela tá falando a verdade, cara... - Gabriel dá de ombros, levantando as mãos em rendição e rindo fraco. - Ela é brava. Eu, no seu lugar, não arriscaria testar a teoria.

Observo o brutamontes fechar os olhos por alguns segundos e murmurar coisas desconexas e ranzinzas entre os dentes, enquanto um sorriso vitorioso surge no canto dos meus lábios e, coincidentemente, nos de Gabriel.

Gabriel ri daquela cena antes de avisar que está descendo até a lanchonete do hospital para buscar algo para eu comer. Ele se despede e sai do quarto, a porta de vidro deslizando em silêncio e me deixando completamente sozinha com o senhor ranzinza.

Os outros já haviam ido embora há algum tempo. Ayla e Sebastian precisavam voltar para casa por causa dos filhos; David e Mia também tinham os garotos para cuidar e já estava ficando tarde.

Gabriel fora o único que insistira em permanecer, parte porque tem um plantão em poucas horas - mesmo com o nariz levemente torto pelo soco que levou -, e eu porque meu trabalho temporário agora é ser babá do meu brutamontes de estimação.

- Por que não foi embora quando teve a chance? - a voz de Cael ecoa novamente pelo quarto escuro, quebrando o silêncio e me tirando dos meus devaneios.

- Eu tenho passado todas as noites aqui desde que tudo aconteceu e...

- Você entendeu o que eu disse, garota.

🥀 Capitulo 129🥀 1

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