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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 127

Narradora. ( Narrativa em terceira pessoa.)

O bip pausado e ritmado dos monitores cardíacos era o único som que ecoava em meio à tensão sufocante do apartamento de terapia semi-intensiva do San Raphael.

Para Cael Sterling, aquele som parecia tudo, menos reconfortante; era um lembrete pulsante de sua própria ruína, a prova irrefutável de que havia sido fraco mais uma vez.

O retorno da consciência não veio como um despertar suave, mas como um afogamento em câmera lenta. A anestesia e os resíduos pesados dos benzodiazepínicos ainda ancoravam seu corpo de quase dois metros à maca, mas sua mente - traumatizada, hiperalerta e constantemente treinada para o pior cenário - emergiu da inconsciência com um solavanco de puro terror.

A garganta queimava em carne viva, seca e inflamada pelo tubo que fora recém-retirado ali mesmo na unidade semi-intensiva. O peito pesava como se um bloco de concreto estivesse assentado sobre seu esterno, tornando cada tentativa de puxar o ar uma tortura física.

Ele piscou devagar, as pálpebras pesando toneladas, enquanto a luz branca do quarto cortava sua visão turva e pontilhada de névoa. Sombras lentamente começaram a ganhar contornos.

Pessoas.

O primeiro que ele reconheceu foi Sebastian. O irmão mais velho estava de pé, próximo às grandes janelas de vidro do apartamento, com os brasos cruzados sobre o peito e a cara amassada de quem claramente não dormia bem há dias, a imponência habitual dando lugar a um cansaço visceral.

Gabriel não estava muito diferente. Encontrava-se sentado em uma das poltronas de canto, a postura rígida e a cabeça afundada entre as mãos, como se tentasse fisicamente calar o ruído dos próprios pensamentos.

Ayla também estava presente, parada ao lado de Sebastian, mantendo um semblante terno e carinhoso, ainda que as sombras escuras abaixo de seus olhos parecessem traí-la, revelando a exaustão de quem passara a noite em claro velando por ele.

Perto da porta de entrada estava David. É claro que seu melhor amigo estaria ali. David era o tipo de homem que as pessoas chamavam de amigo para todas as horas, e de fato era - fossem elas boas ou terrivelmente ruins. E, a julgar pelo estado em que Cael se encontrava, atado a sensores e cabos, aquela não era nem de longe uma boa situação.

Cael estava acordado, a mente rodando em falso, mas ninguém parecia ter percebido de fato o seu despertar. Com um esforço sobre-humano, Cael forçou a cabeça a virar para o lado sobre o travesseiro duro.

Os olhos azuis, injetados de sangue, turvos e sensíveis à claridade, varreram o cômodo com uma urgência febril e desesperada.

Ele procurava por uma única pessoa. Por sua garota. O seu porto seguro. A mulher a quem ele tinha implorado, em um sussurro miserável, para não ir embora antes de apagar completamente em seus braços.

Foi então que o desespero se instalou de vez. A princípio, uma pontada fina, mas que lançou raízes fundas e venenosas em seu peito em questão de segundos: o lado esquerdo do quarto estava completamente vazio.

A poltrona ao lado da maca, intocada. Nenhum rastro do perfume dela - apenas o cheiro áspero e metálico do antisséptico hospitalar. Nenhum vislumbre dos cabelos escuros caindo pelos ombros, nenhuma presença do olhar firme que era a única coisa capaz de mantê-lo preso ao chão.

Ela descobriu.

O pensamento veio como uma lâmina de gelo, rasgando o pouco de lucidez que ele conquistara a custo. O cérebro de Cael, saturado por anos de culpa, trauma e pela chantagem perversa de Serena, fez a pior e mais cruel reconstrução possível.

A carta.

As mentiras.

O frasco de remédios vazio.

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