Hannah Brooks.
Desdobro a folha com o coração martelando no peito, a respiração presa na garganta enquanto meus olhos devoram as palavras escritas naquela caligrafia desenhada, fria e terrivelmente impecável.
"Cael.
Acho que você não imaginava ouvir de mim tão cedo, mas a paciência tem limites. O dinheiro do acordo acabou e eu quero o que é meu por direito: a minha família e o meu lugar de volta. Eu sei muito bem que você reconstruiu sua vida de fachada e arrumou uma garotinha para brincar de casinha, mas vamos ser realistas.
Estou na cidade. Se você não me encontrar no endereço anexado até o fim desta semana e concordar em reescrever os termos da custódia do Theo - me devolvendo o acesso irrestrito a ele e à sua vida -, eu vou direto à imprensa e à justiça.
Tenho relatórios suficientes sobre a sua instabilidade mental e os seus episódios do passado para provar que você não tem condições de criar nosso filho sozinho. Você sabe o que a mídia faz com um homem como você, Cael. Escolha com sabedoria.
- Serena.
Sinto o sangue congelar nas minhas veias. A leitura termina, mas a minha mente continua fixa em cada palavra perversa. A menção nojenta a mim como "uma garotinha para brincar de casinha", o tom chantagista barato, a ameaça direta de usar a saúde mental do Cael e a guarda do Theo como arma de destruição em massa.
Uma onda de fúria pura, cega e esmagadora atropela qualquer resquício de medo, cansaço ou dor que eu estava sentindo minutos atrás.
Aquela mulher não quer apenas dinheiro. Ela quer destruir o Cael por completo, usar um garotinho inocente como moeda de troca e massacrar a pouca paz que nós levamos meses para construir nesta casa.
Ela empurrou o homem que eu amo para a beira de um abismo com um pedaço de papel.
Dobro a folha com força, cravando as unhas no papel encorpado até quase rasgá-lo pelas pontas. Minhas mãos não tremem mais. O desespero deu lugar a um estalo frio e perigoso na minha cabeça. Enfio a carta direto no bolso interno do meu casaco. Pego o celular do Cael sobre a mesa de carvalho e o guardo comigo também.
Aperto os passos, saindo do escritório e batendo a porta de madeira maciça atrás de mim. O som ecoa pelo corredor como o início de uma declaração de guerra.
Desço as escadas da mansão em passadas firmes, o salto dos meus sapatos estalando contra o mármore frio. Encontro Mia surgindo do corredor do subsolo, com as mãos vazias, os cabelos levemente desalinhados e o rosto pálido de pura frustração.

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