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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 123

Hannah Brooks.

A porta b**e com força quando Mia dispara pelo corredor, e o som estridente dos alarmes preenche cada centímetro do quarto, reverberando dentro do meu crânio. Minhas mãos tremem de forma incontrolável, mas meu corpo se move por puro instinto acadêmico antes mesmo que eu consiga raciocinar. Dou dois passos rápidos à frente, segurando firmemente os pulsos de Cael contra o colchão.

- Cael, não se mexe! Por favor, não luta contra a máquina - peço em um sussurro desesperado, minha voz embargada enquanto observo os músculos do seu pescoço saltarem, rígidos como cordas de aço.

Ele está tendo uma assincronia grave com o ventilador mecânico. O visor do monitor pisca em um vermelho hostil, indicando uma pressão de pico altíssima nas vias aéreas; o reflexo de tosse dele voltou com força total, e ele está tentando expelir o tubo traqueal por conta própria.

Na faculdade, os professores cansam de repetir o perigo disso: se ele puxar aquele plástico de forma abrupta, a pressão do balonete insuflado pode dilacerar suas cordas vocais ou causar um laringoespasmo fatal.

Vê-lo tossir contra o metal do aparelho, com o rosto contraído em uma careta de dor sufocada, faz meu estômago revirar. Os últimos sete dias despencam sobre a minha mente como uma avalanche de concreto. Uma semana inteira trancada nesse hospital, sentindo o cheiro de antisséptico impregnar minha pele, sobrevivendo à base de cafés frios e uma culpa corrosiva que quase me impediu de respirar.

Eu passei cada uma dessas noites olhando para o peito dele subir e descer de forma artificial, assombrada pelo medo visceral de que ele nunca mais fosse abrir aqueles olhos azuis. Eu me perguntei mil vezes se tinha falhado com ele, se o pânico silencioso que vi em seu escritório naquela noite era um pedido de socorro que eu não soube decifrar.

O medo de perdê-lo se tornou um monstro físico, apertando meu pescoço até me deixar sem ar.

A porta da UTI é empurrada com violência, quebrando o fluxo dos meus pensamentos. O médico plantonista entra correndo, seguido por duas enfermeiras que empurram um carrinho de procedimentos.

- Ele está acordando, o drive respiratório voltou! - aviso rápido, tentando manter a voz firme apesar das lágrimas que embaçam minha visão. - Está brigando com o ventilador, frequência cardíaca em 142 batimentos por minuto.

- Certo. Vamos fazer a extubação agora. Enfermeira, prepare a aspiração e verifique o oxigênio suplementar - o médico comanda com precisão cirúrgica, aproximando-se do outro lado da maca. Ele olha para mim e depois para Mia, que entra logo atrás, pálida e sem fôlego. - Vocês duas precisam sair da sala. Agora. O procedimento pode ser agressivo.

- Não. Eu não vou sair - as palavras saltam da minha boca antes que eu possa filtrá-las. Minha postura se enrijece.

- Moça, isso é uma quebra de protocolo, atrapalha a equipe... - uma das enfermeiras tenta intervir, segurando meu braço de leve para me conduzir à saída.

- Eu sou estudante de medicina, sei exatamente o que vocês vão fazer! - rebato, fincando os pés no chão do quarto, a voz ganhando uma autoridade que eu nem sabia que tinha. Meus olhos cravam nos do médico. - Eu sei como funciona a desinsuflação do cuff, sei o risco de broncoaspiração e sei que ele vai entrar em pânico se acordar cercado apenas por estranhos. Eu fico.

- Eu também não saio do lado do meu irmão! - Mia se junta a mim, cruzando os braços, o queixo erguido com a típica teimosia dos Sterling.

O médico nos encara por dois segundos intermináveis, avaliando a nossa resistência, antes de soltar um suspiro pesado e ajustar as luvas de procedimento.

- Tudo bem. Mas fiquem encostadas na parede e não se mexam. Se interferirem, a segurança tira as duas - ele decreta, voltando-se imediatamente para Cael. - Enfermeira, aspire a via aérea superior primeiro.

O quarto vira um turbilhão de movimentos coordenados. O som alto e desagradável do aspirador cirúrgico ecoa enquanto a enfermeira limpa a secreção acumulada na boca de Cael para evitar que ele sufoque.

Eu me encosto na parede fria ao lado de Mia, entrelaçando meus dedos nos dela. Minhas unhas cravam na palma da mão dela, e sinto o corpo de Mia tremer tanto quanto o meu. Ver a engenharia médica acontecer diante de mim, sabendo que a vida do homem que eu amo depende de cada milímetro daqueles tubos, é uma tortura que nenhum livro de Semiologia foi capaz de me preparar.

O médico pega uma seringa vazia e a conecta à válvula do balonete, aspirando o ar para murchar a pequena bolsa que prende o tubo dentro da traqueia de Cael.

- Cael, preciso que me ouça. Vou tirar o tubo, preciso que você tussa quando eu mandar, tudo bem? - o médico fala alto perto do ouvido dele. - No três. Um, dois... três, tussa!

Com um movimento rápido e contínuo, o médico puxa o longo tubo plástico para fora. Cael se arqueia na cama, soltando uma tosse violenta, um som rasgado e sibilante que faz meu coração saltar pela boca. Ele engasga por um breve segundo, lutando para encontrar o oxigênio por conta própria, enquanto a enfermeira imediatamente posiciona uma máscara de oxigênio de alto fluxo sobre o seu nariz e boca.

O silêncio que se segue é quebrado apenas pelo chiado do oxigênio puro correndo pela mangueira plástica. O peito de Cael sobe em uma expansão profunda, irregular, mas finalmente humana. Livre de amarras.

Dou um passo involuntário à frente, prendendo a respiração, esperando o próximo sinal. As pálpebras dele tremem sob a luz forte do monitor. Os dedos grandes da sua mão direita, livres dos meus pela primeira vez em horas, dão um leve espasmo contra o lençol branco.

Ele está voltando.

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