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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 122

Mia Sterling.

Através da pequena fresta entreaberta na porta de correr da UTI, eu observo a figura miúda de Hannah debruçada sobre a cama de Cael.

Ela dorme encolhida na poltrona desconfortável de acompanhante, com a cabeça pesada encostada diretamente na lateral da maca fria, mantendo seus dedos firmemente envoltos nos dedos grandes do meu irmão, como se ele fosse sumir se ela o soltasse por um segundo.

Já faz uma semana.

Sete dias de um tormento quase incessante que parece arrastar as horas em um looping de agonia. Os médicos disseram repetidas vezes que ele está clinicamente estável. Seu corpo tem respondido bem aos estímulos mecânicos, os exames laboratoriais mostram que as funções hepática e renal estão limpas, mas é como se o cérebro dele simplesmente se recusasse a deixá-lo acordar.

É um sono forçado, profundo e assustador.

O Theo pergunta pelo pai todas as noites antes de dormir. Mentimos para ele, engolimos o choro e dissemos que o Cael precisou fazer uma viagem de emergência a trabalho. Ele é novo demais, inocente demais para entender algo tão complexo e destrutivo quanto o colapso de um pai.

Ele tem estado na casa do David durante todos esses dias, cercado de brinquedos e distrações para não notar o clima fúnebre que se instalou sobre nós.

Nós dois temos estado lá, para falar a verdade.

A mansão, que sempre foi um lugar silencioso e imponente, agora parece ainda mais gigantesca e vazia com a ausência sufocante do meu irmão. Eu sinto falta dos passos firmes do Cael pelos corredores, do cheiro do café dele pela manhã, e estar naquela casa sem a presença dele perdeu completamente o sentido.

É fantasmagórico.

Hannah também não tem estado lá.

Quero dizer, ela tem passado praticamente vinte e quatro horas por dia aqui no hospital, presa entre as paredes brancas deste quarto. Ela tem estado ao lado do Cael de uma forma tão visceral e devotada que eu sequer saberia descrever em palavras.

Ela não tem comido quase nada, recusa os lanches que eu trago, não dorme direito e, vez ou outra, quando pensa que está sozinha, eu a encontro chorando baixinho, com o rosto escondido sobre a coberta da cama dele.

As poucas vezes em que ela realmente aceita sair daqui por algumas horas, tem ido para o apartamento de uma amiga. Ela me disse, com a voz embargada, que não quer ficar sozinha em um quarto vazio, que o silêncio da noite faz sua mente lhe pregar peças terríveis e desenhar cenários catastróficos.

Ayla e Sebastian se ofereceram insistentes para que ela pudesse passar esse tempo na casa deles, onde teria alguém para cuidar dela. Ela continua a recusar repetidamente, balançando a cabeça com um sorriso triste, sempre dizendo que não quer atrapalhar a rotina de ninguém, que é apenas uma fase.

Eu acho que ela ainda não entendeu, ou a culpa não a deixa enxergar, que ela já faz parte da nossa família.

Respiro fundo, tentando engolir o nó seco na minha garganta, e com cuidado empurro a porta de vidro. O rangido suave e familiar preenche o quarto silencioso, um som que logo é quebrado pelo bip ritmado e hipnótico das máquinas de suporte à vida.

Caminho lentamente até a poltrona vazia que fica no canto oposto, deixo minha bolsa cair no chão mesmo, sem me importar com nada, e me sento, sentindo o peso do mundo esmagar os meus ombros.

A última semana tem sido exaustiva, muito exaustiva, e não apenas para mim ou para a Hannah. Meus irmãos têm estado insuportavelmente tensos. Sebastian e Gabriel andam calados demais para o meu gosto, trocando olhares tensos e sussurrando ao telefone, sussurros que cessam toda vez que eu me aproximo.

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