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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 121

Hannah Brooks.

- Três semanas... - digo, quebrando o silêncio. Minha voz ecoa baixa, áspera e rouca demais para aquele momento, mas sinto que preciso preencher o vazio. - Não sei exatamente o que nós somos... Mas sim, eu tenho sentimentos profundos por ele...

Observo atentamente quando um sorriso gentil e reconfortante surge nos lábios de Ayla. Ainda há faíscas de curiosidade em seu semblante, mas ela permanece em silêncio, sem me pressionar, como se estivesse me dando todo o espaço do mundo para que eu fale apenas quando e se me sentir confortável.

- Eu sei que a Mia já deve ter mencionado algo para vocês... - continuo, deixando as palavras caírem suavemente entre nós duas como uma pergunta velada ou, talvez, como uma confissão que eu precisava externalizar.

- Levando em consideração o quanto as novidades voam rápido demais nessa família... - ela diz, soltando um riso contido e sorrindo de forma extremamente compreensiva. - Ela apenas nos disse que todos nós já conhecíamos a mulher misteriosa da foto. E bem, isso foi mais do que o suficiente para o Gabriel e o Sebastian ligarem os pontos em um piscar de olhos...

- E vocês não se importam com isso? - pergunto de chofre, colocando para fora aquilo que estava há dias quase que engasgado dentro de mim, sufocando-me. - Quero dizer... Não se importam com o fato de eu ser uma funcionária dele? Ou de termos uma diferença de idade consideravelmente significativa, ou de...

- O Cael é um homem adulto, Hannah. Ele sabe perfeitamente o que faz da vida - as palavras dela vêm acompanhadas de um tom firme, mas incrivelmente acolhedor, quase materno. - Meu cunhado e grande amigo já sofreu demais quando o quesito são relacionamentos... Cael, mais do que ninguém que eu conheço, merece uma chance real de ser feliz. E se você o faz feliz, então os irmãos dele não têm que opinar em absolutamente nada. E mesmo que precisassem... Céus, você deveria ter visto a verdadeira festa que os dois fizeram ao descobrir que ele estava finalmente saindo com alguém depois de tudo o que aconteceu com a Serena.

- Serena? - pergunto de imediato, sentindo um arrepio estranho na espinha ao constatar que aquele nome não me é nem um pouco familiar.

- A mãe do Theo... - ela diz, e posso notar perfeitamente o peso esmagador e a amargura que acompanham aquelas poucas palavras ao saírem de sua boca. - O Cael simplesmente não costuma mencioná-la para ninguém. Ele age e faz de conta que ela está morta e enterrada, e, para ser bem sincera com você, de certa forma é bem melhor assim. Ela o destruiu de um modo tão profundo que levou anos para que ele finalmente conseguisse se erguer e se recuperar minimamente. Mas... Esse assunto e essa história não me pertencem, não cabe a mim contá-los para você.

- Então por que você tocou no nome dela? - questiono, tentando entender o aviso por trás daquela menção.

- Porque você merece saber exatamente onde está pisando, querida - ela diz, interrompendo-me com delicadeza antes que eu possa continuar com o meu questionamento. - O Cael é um homem com um passado sombrio e uma carga emocional imensa, o tipo de bagagem que muitas mulheres prefeririam simplesmente não enfrentar ou carregar... Mas, se você realmente decidir ficar e se permitir conhecê-lo de verdade... Vai saber que por trás de toda aquela pose ranzinza, fria e controladora, existe um homem magnífico. - Ela solta um pequeno riso nostálgico, seus olhos se perdendo por um breve instante em algum canto vazio da sala, como se ela visitasse uma memória muito antiga e querida. - Bem, na verdade, todos eles são. A Charlotte e o Antony criaram muito bem todos os filhos.

Aos poucos o calor do caldo de ervilhas no meu estômago perde a batalha contra o frio que volta a tomar conta de cada milímetro do meu corpo. Ayla ainda me encara com doçura, mas suas palavras sobre Serena e o passado de Cael começam a se misturar na minha mente com o som mecânico do respirador que imagino estar conectado a ele agora.

Eu não consigo ficar aqui. Não consigo fingir que uma tigela de cerâmica e palavras reconfortantes são o suficiente para me manter presa a este sofá enquanto o homem que eu amo luta para voltar de um coma induzido.

- Ayla... - deixo a tigela sobre a mesa de centro com as mãos ainda trêmulas, o som do objeto batendo na madeira ecoando de forma seca. - Eu agradeço tudo o que está fazendo por mim. De verdade. Mas eu não posso passar o resto da noite aqui dentro olhando para essas paredes. Eu preciso ir para o hospital.

- Hannah, querida, você precisa descansar... O Sebastian é o Gabriel ja estão na clinica. Eles estão cuidando de tudo e alem disso, Sebastian me pediu para...- ela começa, estendendo a mão para tocar meu joelho, mas eu me esquivo com delicadeza, levantando-me em um impulso que faz minha cabeça girar por um breve segundo.

- O Sebastian não me conhece - minha voz sai mais firme agora, a adrenalina finalmente vencendo o torpor do cansaço. - Cael jamais me obedeceria se os papéis estivessem invertidos. Eu faço medicina, Ayla. Eu sei exatamente o que significa uma intubação de emergência por overdose de benzodiazepínicos. Eu preciso ver com meus próprios olhos que o coração dele ainda está batendo. Por favor.

Ayla me analisa por longos segundos. Há um breve vislumbre de hesitação em seus olhos castanhos, mas ela parece enxergar a determinação irredutível que agora me sustenta.

- O hospital San Raphael fica a vinte minutos daqui. É uma clínica privada, a imprensa não entra lá - ela diz, o tom doce dando lugar a uma praticidade madura. - David levou Mia e Theo para sua casa, ele está cuidando deles. Mas ainda não tenho certeza se...

- Ayla, por favor... - Minha voz ecoa, o tom quebrado retornando outra vez.

Ela me encara por alguns segundos, respira fundo e assente com a cabeça.

- Eu faria o mesmo em seu lugar, querida. - Ela solta um suspiro longo, conformada, e se levanta pegando a tigela com o que sobrou do caldo, e me encarando por alguns segundos. - Pegue um casaco Hannah, saimos em alguns minutos.

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