Eu apenas permaneço quieta, deixando que ele se apoie em mim enquanto meus dedos se enroscam nos fios escuros de seus cabelos.
O silêncio reina ao nosso redor, quebrado apenas pelo estalar constante da madeira na lareira e pelo som ritmado e pesado de nossas respirações unidas.
- Você não vai embora, garota... Não ouse ir embora, eu não permito que vá - ele sussurra contra minha pele, a voz abafada, seus lábios deixando beijos suaves, quase inexistentes, ao longo do meu pescoço. - Me diga que não vai embora, amor... Eu... Eu te tranco no meu quarto se for preciso, garota, mas não ouse pensar em me deixar, Hannah. Eu não aceito.
- Eu não vou a lugar nenhum, seu velho ranzinza - afirmo baixinho, mantendo o tom suave enquanto continuo a acariciar seus cabelos, tentando acalmar a tempestade que sei que ruge dentro dele.
- Sim, você vai... - ele sussurra, o hálito quente batendo contra a minha pele. - Você vai querer ir embora quando perceber que eu não sirvo, garota... Que sou a porra de um homem quebrado, fingindo controle diante de tudo, quando na verdade tudo por dentro está desmoronando.
Ele diz cada palavra contra minha pele, e seu aperto ao redor da minha cintura se torna ainda mais firme, doloroso até, como se ele tivesse um medo real e físico de me soltar e me ver sair correndo daquele lugar.
- Eu não sou um homem para você, garota... - A voz dele ecoa rouca, pesada e, ao mesmo tempo, repleta de uma culpa quase palpável, que me aperta o peito. - Você merece alguém melhor, e não um maldito velho, a porra de um homem quebrado... Alguém com mais fantasmas do que você pode imaginar... Mas eu... Eu me recuso a te deixar ir. Eu não quero que outro te toque...
Ele faz uma pausa abrupta. Seu rosto finalmente se afasta da minha nuca e seus olhos azuis me encaram de perto. Eles estão levemente avermelhados, com as pupilas estranhamente dilatadas, um detalhe que eu só consigo notar agora, estando a centímetros de distância.
Uma suspeita fria e cortante começa a se formar na minha mente.
- Eu não vou te deixar ir... - a voz dele ecoa novamente, rouca, quase suplicante, perdendo toda aquela imponência habitual.
- O que você usou?... - as palavras escapam da minha boca antes mesmo que eu possa processar o pensamento ou tentar suavizar a pergunta.
Observo atentamente a forma como seus olhos se arregalam por um milésimo de segundo, uma fração de segundo de pura culpa, antes de ele desviar o olhar para longe de mim.
- Nada... Eu não fiz nada. Eu só preciso... Eu preciso dormir, garota - a voz dele ecoa novamente, mas agora soa arrastada, distante. Seus olhos estão longe de mim, fixos em algum ponto vazio da parede; ele simplesmente não ousa mais me encarar.
- Cael Sterling - minha voz ecoa fria e controlada, mas, por dentro, eu já consigo sentir as primeiras garras do desespero arranhando minha garganta. - Cael... O que você usou?
- Eu não... Só preciso dormir, am...
Ele não termina.
Sua frase é interrompida abruptamente no meio da palavra porque ele simplesmente apaga. Sua cabeça tomba pesadamente para trás, batendo contra o encosto de couro da poltrona. O aperto de ferro que ele mantinha em minha cintura afrouxa imediatamente, e seus braços caem, moles e sem qualquer reação, ao lado do meu corpo.
- Cael... - Chamo seu nome, o tom subindo um oitava. Tento sacudi-lo pelos ombros, mas não tenho qualquer resposta. - Cael, acorda...
Seguro seu rosto com as duas mãos, forçando-o a virar na minha direção, tentando fazer com que ele abra os olhos, mas suas pálpebras continuam pesadas, fechadas.
O pânico começa a subir como bile. Ergo seu braço esquerdo e cravo minhas unhas com força na pele de seu pulso, esperando que a dor física lhe cause alguma reação imediata, mas não há nada. Simplesmente nada.

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