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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 115

Dias depois.

Hannah Brooks.

- Em resumo bem direto, você está pegando o seu chefe, amiga. E você gosta de verdade dele, o que é perfeitamente normal. Você não deveria ficar se martirizando tanto por causa disso. - a voz de Jane ecoa pelo apartamento, carregada daquele tom sutil e divertido de quem já sabia de toda a fofoca antes mesmo que eu pudesse começar a contar.

- Bem, sim, talvez não seja de todo ruim. É só que já se passaram três semanas inteiras e a maldita notícia sobre a tal "mulher misteriosa e blá, blá, blá" ainda continua sendo uma das mais comentadas e em alta em absolutamente todo lugar. - digo, soltando um suspiro pesado e me recostando no estofado macio do sofá dela. - A frente do prédio da Sterling Corp tem estado lotada todos os dias de repórteres intrometidos e sabe-se lá o que mais, todos desesperados em busca de uma única entrevista ou declaração do Cael. Por causa de toda essa pressão, ele tem chegado em casa cada vez mais exausto... e, aos poucos, parece começar a se afastar do Theo de novo. E eu simplesmente não quero que isso aconteça outra vez, Jane.

Respiro fundo, sentindo a frustração pura e o cansaço acumulado tomarem conta de cada parte de mim.

- Foram necessários meses de paciência e conversa para fazer aquele homem finalmente sentar perto da cama do filho e contar uma história antes de dormir. E agora, ver todo esse progresso começar a ruir aos poucos diante dos meus olhos é extremamente frustrante. - digo, levando a taça aos lábios e tomando um gole generoso de vinho, sentindo o líquido descer quente.

Me recosto ainda mais no sofá, desviando o olhar para a tela da TV bem à nossa frente, onde é exibida uma notícia qualquer, sem som, sobre um acidente de trânsito que acabou de acontecer em uma das principais vias da cidade.

- Não é o seu trabalho fazer ele se aproximar do próprio filho, Hannah. - a voz firme de Jane me tira de forma abrupta de meus devaneios. - Quero dizer, bem, você cuida de forma impecável do garoto e tem feito o seu melhor absoluto nos últimos meses, mas o Cael ainda é o pai. Ele precisa entender por si mesmo que o garoto ainda precisa dele, e muito.

- Ele entende, Jane... ou ao menos ele tenta entender com o pouco que sabe. - digo, mantendo os meus olhos fixos nas imagens que passam na TV. - É só que, às vezes, parece que existe uma barreira invisível, algo muito profundo que o impede de tentar ir além... de realmente querer estar mais perto. É frustrante e, ao mesmo tempo, incrivelmente irritante. O Cael é, sem sombra de dúvidas, o homem mais enigmático que eu já conheci em toda a minha vida, e eu garanto a você que isso não é nem de longe um elogio.

Reviro os meus olhos com força, lembrando perfeitamente do quão irritante, cabeça-dura e, ao mesmo tempo, surpreendentemente carinhoso ele consegue ser quando decide desarmar a guarda comigo.

As últimas semanas foram um verdadeiro misto caótico de surtos internos, cobranças da mídia e carinhos trocados às escondidas. Para ajudar, o aniversário do Theo é em exatamente uma semana, então eu, claramente, fui envolvida de cabeça em todos os preparativos da comemoração.

Vai ser, literalmente, uma festa grandiosa e extravagante em um dos maiores e mais caros salões de luxo de Toronto. O Cael está bancando absolutamente tudo com o melhor que o dinheiro pode comprar, e os valores exorbitantes cobrados pelo aluguel daquele lugar não fazem nem cócegas em seu bolso de bilionário.

O único e real problema nisso tudo é o próprio Theo.

Eu sei perfeitamente que ele está prestes a fazer apenas quatro anos, e que talvez ele ainda seja jovem demais para entender a complexidade de tudo ao seu redor. Mas o meu anjinho parece tão... quieto, tão estranhamente triste. Não existe nele aquela empolgação típica e contagiante de uma criança que espera ansiosa pelo dia do próprio aniversário e pelos brinquedos novos.

Eu conversei bastante com a Mia sobre isso ontem e ela também notou algo errado. Ela percebeu essa mudança repentina no comportamento do Theo e a total falta de empolgação dele para a festa, mas, infelizmente, o garoto não quer se abrir de jeito nenhum, mantendo-se fechado até mesmo comigo, e isso me preocupa de uma forma que eu mal consigo explicar.

Eu tentei conversar seriamente com o Cael sobre o assunto. Tentei dizer a ele que, talvez, o Theo só quisesse passar a tarde inteira brincando no quintal com os amigos da escola, ao invés de ser jogado em um evento gigantesco, repleto de câmeras, flashes e pessoas estranhas de terno.

Mas é claro que o Cael, sendo o homem que é, cortou o assunto dizendo que o Theo ainda é jovem demais para saber de fato o que quer, e que o seu filho merece apenas o melhor e mais grandioso que existe no mundo.

E, desde então, nós seguimos presos nesse impasse silencioso. Porque até a Mia tentou de todas as formas colocar um pouco de juízo na cabeça do irmão, mas o Cael é orgulhoso e cabeça-dura o suficiente para ignorar qualquer conselho que contrarie o que ele planejou.

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