Mia Sterling.
Começamos a organizar rapidamente duas bandejas grandes. Em uma delas, colocamos uma imensa jarra de café bem forte - afinal de contas, ninguém em sã consciência enfrenta o desafio de um trabalho de arte infantil de última hora sem uma dose generosa de cafeína -, acompanhada de xícaras delicadas e dos croissants dourados que Hannah retira fumegantes do forno, perfumando todo o ambiente.
A outra bandeja fica reservada para os pequenos: cheia de suquinhos de caixinha, biscoitos recheados que sem dúvida alguma farão o Cael ter um mini-infarto devido ao açúcar, e dois mistos-quentes caprichados para alimentar os nossos adoráveis furacões.
Pegamos as bandejas pesadas, trocamos um último olhar cúmplice e saímos da cozinha em silêncio, seguindo em direção ao quarto de jogos guiadas puramente na base da oração e do famoso "Deus nos ajude".
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Abrimos as portas da sala de jogos com as bandejas equilibradas nas mãos e a primeira coisa em que meus olhos focaram, de forma quase magnética, foi no carpete, agora amplamente pintado de um tom vibrante de azul-royal.
Não era qualquer azul comum, mas sim aquele azul intenso, profundo e extremamente específico. Muito específico mesmo, pois se tratava de nada mais, nada menos do que um dos corantes em gel importados que eu uso profissionalmente para confeitaria, e que eu mesma havia trazido com todo o cuidado do mundo diretamente da França há alguns meses.
Sinto minha respiração travar na garganta por um segundo inteiro ao ver que o pote de vidro do bendito corante em gel está jogado de lado, derramando seu conteúdo precioso sobre o carpete branco-gelo... e a verdade é que o problema real nem é o carpete manchado, afinal de contas a casa inteira é do Cael e ele que se vire para limpar ou pagar um novo; o meu desespero é pelo meu corante francês.
Meu Deus, o meu corante caríssimo.
Mais do que a perda do meu insumo de trabalho, a cena que se desenha diante de nós é de puro caos: tem um mini-humano rolando alegremente no carpete como se estivesse tentando se transformar, de corpo e alma, em um daqueles avatares gigantes do filme.
Henry está com os braços, as pernas e o rosto totalmente tingidos de azul-royal, enquanto David segura firme em mãos o que parece ser um pano de prato molhado e esfrega a bochecha do menino com uma força que beira o desespero, em uma tentativa completamente falha e inútil de remover aquele pigmento ultra-resistente.
O que, cá entre nós, não vai acontecer por pelo menos uns dois dias inteiros.
Como diabos esses dois homens deixaram as crianças acharem minhas caixas de confeitaria é um mistério que eu vou desvendar mais tarde.
Desvio os meus olhos daquele caos azulado para encontrar Cael em uma situação tragicamente semelhante do outro lado do cômodo, tentando inutilmente limpar o rosto de Theo.
Meu sobrinho está verde.
E não apenas o rosto; os cabelos dourados, com aqueles cachos lindos que eu tanto amo, agora estão grudados na testa com mechas espessas em um tom verde-floresta quase brilhante.
Theo corre em círculos frenéticos pelo carpete condenado, gritando a plenos pulmões que é o incrível Hulk, enquanto Cael, ostentando um semblante de puro desespero e cansaço, tenta de todas as formas fazê-lo se sentar em uma cadeira para tentar limpá-lo.

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