Mia Sterling.
Uma hora.
Eu passei uma hora inteira dentro do carro, praticamente peregrinando por todas as papelarias e lojas de materiais escolares que eu conheço em Toronto, em uma busca desesperada atrás das benditas telas brancas.
Tudo porque eu esqueci completamente de verificar a mochila de Theo antes do final de semana, mas, sinceramente, eu nem tenho culpa de verdade. Eles nunca mandam tarefas ou atividades para serem feitas em casa. Quem em sã consciência iria esperar que fosse ser diferente logo dessa vez? Bem, certamente não eu.
Eu quase me ajoelhei no chão, em um misto de prece e alívio, quando finalmente encontrei um único estabelecimento aberto.
Comprei às pressas as benditas telas e a cola, e retornei para casa praticamente voando pelas ruas, porque, para ser bem sincera, ninguém no mundo queria passar o fim de um domingo montando um trabalho de arte improvisado de última hora para a colônia de férias.
Estaciono o carro na garagem, saio do veículo com pressa, tranco as portas e removo a chave da ignição.
Não pretendo dar qualquer chance para a sorte ao azar. Entro na cozinha com os braços carregados e meus olhos se estreitam imediatamente ao encontrar apenas Hannah ali, solitária no ambiente.
Ela está profundamente concentrada em algo que borbulha no fogo, enquanto cantarola baixinho, quase em um sussurro, uma melodia suave que eu não conheço.
O som pesado da porta de entrada se fechando atrás de mim parece tirá-la abruptamente de seus devaneios. Ela se vira devagar em minha direção e solta um longo suspiro de alívio ao me ver ali parada.
- Céus, eu achei que fossem os garotos invadindo a cozinha outra vez. - ela diz, deixando um sorriso tímido surgir em seu rosto. - Eles estão todos trancados na sala de jogos... Cael estava semelhante a alguém prestes a ter uma crise de nervos real, então eu...
Ela para de falar por um segundo, piscando uma, duas vezes, as palavras morrendo em sua garganta como se estivesse tentando raciocinar e digerir o que acabou de dizer.
- Cael, é? - minha voz ecoa pelo espaço amplo da cozinha, enquanto um sorriso de canto, provocativo e divertido, surge em meus lábios.
Observo o rubor violento e instantâneo tomando conta de todo o seu rosto, uma expressão clássica do tipo: eu quero cavar um buraco profundo no chão agora mesmo e me enfiar dentro dele.
- Eu... quero dizer, eu... o senhor Sterling, ele... - ela começa a se justificar, gaguejando perdida entre as palavras, as bochechas queimando enquanto busca freneticamente a forma "correta" e formal de se expressar. - Peço desculpas. O senhor Sterling, ele...
- Você realmente gosta do meu irmão, não é, Hannah? - Minha voz ecoa novamente, dessa vez tranquila, suave, sem carregar qualquer traço de acusação ou julgamento. - E sobre a foto que está circulando... bem, o David é bem mais observador do que eu para essas coisas, acredite em mim.
Um riso leve e descontraído escapa de meus lábios, e observo a reação dela, que permanece completamente paralisada por mais dois segundos inteiros, assimilando o golpe.
- Fofoqueiro. - ela murmura baixinho, quase sem voz.
Isso me faz rir ainda mais alto, porque sim, se existe alguém no mundo que eu conheço que ama e aprecia uma boa fofoca de bastidores, com certeza é o meu homem.
- Ele é. - respondo sem hesitar, sorrindo de orelha a orelha.

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