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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 111

Hannah Brooks.

Quando chegamos à residência Sterling hoje pela manhã, algumas horas antes de Mia aparecer com o Theo, foi quase como despencar de um sonho perfeito direto de volta para a realidade. Uma realidade barulhenta onde parecia que o Canadá inteiro estava especulando quem era a:

"Mulher que domou o homem de gelo".

Esse era o título exato da manchete que estava espalhada por todos os cantos, desde sites de fofoca sensacionalistas até as colunas de celebridades dos jornais impressos. Felizmente, o ângulo da foto não mostrava o meu rosto por completo, o que me causava um alívio imenso, mas registrava perfeitamente Cael ajoelhado à minha frente, me encarando com uma ternura tão óbvia que era quase possível tocá-la através da imagem digitalizada.

E qual foi a minha reação madura a tudo aquilo? Salvar o arquivo na maior resolução possível e defini-lo imediatamente como o novo papel de parede do meu celular.

Nada mais justo, já que o senhor ranzinza mantém uma foto do Theo dormindo na tela de bloqueio dele. O pequeno detalhe - que ele convenientemente finge não notar - é que eu também estou nessa foto, dormindo de boca aberta e com o Theo jogado por cima de mim como um filhote de urso.

Cael nunca me disse quando tirou o registro, mas eu suponho que tenha sido em uma daquelas noites em que o pequeno estava resfriado, choroso e com dificuldades para dormir sozinho, terminando o resto da madrugada na minha cama.

Será que estou sendo emocionada demais por causa de um papel de parede? Talvez, mas honestamente, quem não se emocionaria depois de um fim de semana intenso e perfeito como o que tivemos?

Bem, agora são 17h50 da tarde. Prendo meus cabelos em um coque alto e firme, garantindo que nenhum grão da areia do parquinho encontre abrigo entre os fios. Juro que tenho pensado seriamente em cortar ou pelo menos diminuir um bom pedaço do comprimento.

Eu sempre tive cabelos longos e adoro o visual, mas a rotina de cuidar de uma criança de três anos torna a manutenção quase impossível; se eu não tomar cuidado, acabo o dia com tudo quanto é tipo de coisa grudada nos fios, o que inclui desde farelos de biscoito até brinquedos gelatinosos gosmentos.

Afasto esses pensamentos capilares e observo a figura imponente de Cael. Ele está agachado no gramado ao lado do Theo, em uma parte do jardim adornada por canteiros floridos, pacientemente ajudando o pequeno ser humano a escolher quais espécimes vai querer usar no trabalho da colônia de férias - um detalhe crucial que nós descobrimos há pouco mais de meia hora.

Para contextualizar o tamanho do nosso drama: Mia buscou o Theo na colônia de férias na sexta-feira à tarde e seguiu viagem direto com ele, o que significa que a mochila do menino ficou intocada no porta-malas do carro o fim de semana todo.

Como a instituição não tem o costume de mandar lição de casa para crianças dessa idade, ninguém se preocupou. Entretanto, há algumas horas, quando eles finalmente retornaram e Mia foi vasculhar os bolsos da mochila para deixar tudo pronto para o dia seguinte - afinal, eu ainda estou de folga e aproveitando o domingo -, ela se deparou com um panfleto impresso em um papel amarelo berrante anunciando a

"Grande Exposição dos Nossos Pequenos Artistas".

O bilhete foi categórico: cada criança deveria, obrigatoriamente com a ajuda dos pais, montar duas "obras de arte" usando telas brancas e elementos colhidos diretamente na natureza.

O caos e o desespero parental começaram exatamente naquele exato segundo, quando David, que também estava na sala conversando com Cael, resolveu checar os pertences do Henry quase orando para não ter algo semelhante. E ceus eu juro que vi o desespero nos olhos dele quando ele percebeu que o filho tinha um papel idêntico amassado no fundo da mala.

Bom, vocês deveriam ter visto a expressão impagável no rosto de Cael ao se dar conta que eles teriam de montar um trabalho escolar, em plenas 17h de um domingo.

Teve também o surto interno dele, ao ver Mia e David chegando juntos, mas isso é história para outro horário.

Mas, por enquanto, o senhor Sterling ainda não surtou completamente. Ele parece travado em um estado de negação controlada, muito mais preocupado com a logística imediata de guiar as mãos miúdas do Theo na colheita de flores do que com o surto de que são quase 18h e Mia ainda não retornou com as telas.

Por falar em Mia, ela foi extremamente perspicaz. Percebendo o tamanho da encrenca, deu um perdido homérico em ambos os homens e anunciou, com uma pressa suspeita, que iria rodar a cidade para comprar as telas em branco e os tubos de cola antes que o comércio fechasse.

No fim das contas, ela bateu em retirada e os deixou sozinhos para lidar com a parte mais complexa da missão: convencer dois pequenos artistas teimosos a escolher o que, afinal de contas, iriam pregar nas telas.

- Nana... Nanaaaaa, olha o que o Theo achou, Nana! - a voz serelepe do serzinho mais lindo desse mundo atinge meus ouvidos com aquela animação contagiante de sempre. - O Theo achou, Nana! Achou... eu achei!

Ele vem correndo em minha direção com as perninhas gordinhas aceleradas, segurando firme uma flor de tonalidade azul-escura. Eu arriscaria um palpite de que se trata de uma petúnia, mas, honestamente, meu conhecimento sobre botânica e jardinagem é quase nulo.

- Ela é linda, meu príncipe - digo, esquecendo a poeira e me ajoelhando no gramado verdinho bem à sua frente.

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