Cael Sterling.
O pôr do sol se estende ao longe, rasgando o horizonte de Nova York. Os raios alaranjados e avermelhados misturam-se às nuvens, formando um verdadeiro espetáculo visual nos céus da cidade. Mas, para ser sincero, a única coisa que realmente prende a minha atenção é a forma como essa mesma luz se reflete nas águas cristalinas da piscina da cobertura, e, principalmente, como esses raios tocam a pele dela.
Há um brilho suave e quase magnético sobre sua pele molhada, agora levemente bronzeada pelo Sol do fim de tarde, realçando suas curvas de uma forma que considero quase pecaminosa.
Passamos boa parte do dia passeando pelas ruas de Manhattan.
Bem, isso depois de eu providenciar roupas adequadas para nós dois em algumas boutiques da Quinta Avenida, já que a nossa vinda para cá foi tão repentina que acabamos não trazendo nenhuma bagagem. Mas não há absolutamente nada no mundo que uma boa quantia de dinheiro e os contatos certos não resolvam em questão de minutos.
Passeamos pela Times Square e, como sempre, a quantidade de pessoas e o bombardeio de telas gigantes eram simplesmente intensos, um caos urbano que geralmente detesto, mas que hoje pareceu tolerável. Visitamos alguns pontos turísticos clássicos, andamos de barco com uma vista magnífica da baía de Manhattan, fomos até a Estátua da Liberdade e finalizamos a tarde com um piquenique improvisado na grama do Central Park.
E não, não fui eu quem organizou meticulosamente esse roteiro. Quero dizer, eu apenas a segui. Eu me limitei a levá-la a todos os lugares que ela demonstrava o menor interesse em conhecer e, pelos deuses, ver aqueles olhos verdes brilhando de pura empolgação genuína a cada nova esquina foi intensamente satisfatório.
Uma sensação que há muito tempo eu não experimentava.
E agora estamos de volta ao meu território, no topo do mundo. Eu permaneço estático, apenas observando a silhueta dela nadar de um lado para o outro com graciosidade, enquanto ela observa o pôr do sol com uma expressão incrivelmente serena.
Olhando para ela assim, calma e imersa na água, nem parece a mesma mulher que tem a proeza monumental de me tirar do sério com apenas duas palavras bem colocadas.
Entre os meus dedos, seguro com firmeza a caixa de veludo escuro contendo as joias que escolhi pessoalmente para ela mais cedo.
É um par de brincos de safiras lapidadas em formato de lágrimas e uma gargantilha de ouro branco que faz parte do mesmo conjunto. O valor não me importa nem um pouco; a única coisa que realmente me interessa é o quão absurdamente linda ela vai ficar usando cada uma daquelas peças.
Me aproximo lentamente dos limites da piscina, sentindo, para o meu próprio espanto, o coração bater rápido demais contra as minhas costelas.
Me pergunto internamente, em um misto de descrença e urgência, como diabos é possível desejar e querer alguém de forma tão avassaladora e intensa em tão pouco tempo. Respiro fundo, buscando uma coragem que normalmente me sobra nos negócios, mas que aqui parece vacilar, e paro exatamente na borda de mármore. Fico ali, apenas observando a vista.
Observando-a.
Ela não demora a notar a minha presença física e a sombra que projeto sobre a água. Hannah vira-se suavemente nas águas, estabilizando o corpo e focando aquelas safiras esverdeadas diretamente em mim.
- Você deveria entrar - ela diz, a voz mansa flutuando pelo espaço aberto, acompanhada por aquele sorriso leve e despretensioso que destrói todas as minhas defesas. - A água está uma delícia.
- Talvez daqui a pouco - respondo, a voz saindo um pouco mais grave do que o planejado. Me abaixo de joelhos ao lado da borda, diminuindo a distância entre nós, e foco meus olhos nos dela. - Antes, eu tenho algo para você.
Seus olhos se mantêm fixos nos meus, estreitando-se por apenas alguns segundos em pura curiosidade, até que ela finalmente começa a nadar em direção à borda da piscina. Pelos céus, a forma como a luz poente desliza pelas gotas de água em sua pele conforme ela se aproxima é, sem sombra de dúvidas, uma tentação pecaminosa.
Ela emerge e sai das águas com toda a calma do mundo, como se soubesse exatamente o efeito que causa em mim. Hannah caminha os poucos passos que nos separam na área seca e para bem na minha frente. Eu me levanto devagar, incapaz de evitar que meus olhos deslizem deliberadamente por cada curva acentuada e perfeita do seu corpo, admirando com uma avidez quase possessiva a minha garota.
- Estou aqui, chefinho - ela diz, um leve riso provocativo brincando em seus lábios enquanto escorrega as mãos pelo cabelo úmido, jogando os fios para trás. - O que temos para hoje? Vai dizer que você finalmente cedeu e vai saltar de paraquedas comigo ou...
- Tenho algo para você - interrompo-a com suavidade, revelando a caixa de veludo preto que eu mantinha estrategicamente escondida na mão atrás das costas. - E, respondendo à sua provocação: como alguém salta de paraquedas quando se tem um medo mortal de altura?
Pergunto, estreitando os olhos em uma falsa censura. Um riso meio sem jeito e adorável toma conta dos lábios dela.
- Era só uma brincadeira, seu chato... - ela resmunga, desviando o olhar por um segundo, o que me faz rir genuinamente da situação.

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