Cael Sterling.
A água já está na temperatura exata, o vapor espesso subindo do mármore negro e embaçando os grandes vidros do banheiro.
Desligo os jatos de hidromassagem, deixando apenas o som suave da água transbordando, ecoar pelo ambiente iluminado por uma luz suave, quase chumbo. Observo meu reflexo contra o espelho uma expressão de incredulidade toma conta do meu rosto.
Eu gastei uma fortuna projetando esse espaço para ser o meu santuário particular, e agora, a única coisa que importa é a forma como o corpo dela vai se destacar contra a pedra escura.
Volto para o quarto em passos lentos. Hannah continua exatamente onde a deixei, deitada de bruços entre os lençóis de seda preta desalinhados, a pele alva brilhando sob o rastro do óleo de massagem e do suor. Ela parece uma pintura renascentista caótica, com o cabelo escuro espalhado pelo travesseiro e as marcas leves das algemas ainda sumindo de seus pulsos.
- Vamos, garota - digo, a minha voz saindo em um tom baixo e rouco.
Paro na lateral da cama e me inclino, passando um braço por baixo dos joelhos dela e o outro pelas suas costas largas, erguendo-a do colchão sem o menor esforço. Hannah solta um ganido baixinho, uma reclamação manhosa enquanto seus braços moles encontram o caminho do meu pescoço, se agarrando a mim por puro instinto de sobrevivência.
- Minhas pernas estão parecendo gelatina, Cael.. - ela resmunga contra o meu ombro, o hálito quente me causando um arrepio incômodo na nuca. - Se eu morrer afogada, faço questão de volta e te assombrar.
- Se você morrer afogada, vai ser porque falou demais e engoliu água - rebato, cruzando o portal do banheiro.
O contraste do ar condicionado do quarto com o bafo quente e úmido do banheiro faz Hannah estremecer nos meus braços. Dou dois passos em direção à banheira e, com o máximo de cuidado, vou descendo o corpo dela na água morna.
Sinto os músculos dela relaxarem instantaneamente assim que ela sente o líquido aquecido tocar sua pele. A espuma densa, com aroma de sândalo e baunilha que ela mesma escolheu na minha prateleira, sobe ao redor de sua cintura, cobrindo a com uma delicadeza quase ultrajante.
Entro logo em seguida, o meu corpo nu fazendo o excesso transbordar pelas bordas de mármore negro, batendo contra o piso com um som ecoante. Sento-me na extremidade mais larga e, antes que ela possa se distanciar, seguro-a pela cintura, puxando-a para trás.
Hannah não protesta. Ela se acomoda perfeitamente entre as minhas pernas, deitando as costas contra o meu peito, deixando que a água cubra seus seios até a altura do pescoço. A sensação dos nossos corpos escorregadios deslizando um contra o outro sob a água morna é um teste violento para o meu autocontrole, mas eu me forço a manter a pose.
Estico o braço e apanho uma esponja de algodão natural, despejando um pouco mais do sabonete líquido. Começo o meu trabalho com uma devoção silenciosa que beira o absurdo para um homem como eu. Começo pelos ombros dela, descendo a esponja pelos braços dormentes, massageando a pele com movimentos longos e firmes, limpando o rastro do nosso crime anterior.
Hannah solta um suspiro longo, a cabeça tombando para trás, apoiando-se no meu ombro. Os olhos verdes esmeralda se fecham, as longas pestanas úmidas contra as bochechas coradas. É uma visão que me prende o ar. Ela parece tão serena, tão entregue ao meu cuidado, que sinto uma pontada aguda de possessividade me rasgar o peito.
Desço a mão com a esponja por baixo da água, deslizando-a pelo colo dela, limpando o óleo espesso que ainda cobria os seus seios. Meus dedos roçam de leve nos mamilos rígidos, e eu sinto o corpo dela dar um sobressalto sutil na água morna, uma resposta física imediata ao meu toque que me faz sorrir de canto.
- Você até que leva jeito para isso, chefinho... - a voz dela surge, arrastada, cortando a solenidade do momento com aquela audácia inerente que ela se recusa a abandonar. Ela abre apenas um dos olhos, me espiando de lado com um brilho de puro deboche. - Estou pensando seriamente em colocar essa função no meu contrato de trabalho. 'Babá, e nas horas vagas receptora de banhos terapêuticos presidenciais'. O que acha?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá do Magnata de Gelo