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A babá do Magnata de Gelo romance Capítulo 105

Cael Sterling

Observo com uma devoção silenciosa, quase religiosa, a forma serena como ela descansa contra o meu peito. Hannah dorme com uma facilidade impressionante, como se o peso do mundo lá fora e a descarga brutal de adrenalina do que acabamos de fazer não tivessem o menor poder sobre o seu sono.

O corpo dela vai se moldando ao meu conforme os minutos passam, a pele ainda úmida e quente deslizando contra a minha em um encaixe tão exato que me faz desejar, contra toda a minha natureza controladora, que o tempo passe devagar. Se fosse possível, eu pararia os ponteiros do relógio por alguns segundos, alguns milésimos de segundo que fossem, apenas o suficiente para congelar essa paz inédita que ela traz para o meu peito.

Há alguns meses, se alguém me dissesse que terminaríamos trancados no santuário do meu refúgio, eu apostaria minha fortuna que teria sido por pura força das circunstâncias. Eu juraria de pés juntos que era impossível. E, no entanto, aqui estamos nós, dividindo os mesmos lençóis de seda preta após um bombardeio sensorial, como se partilhar a mesma intimidade fosse a coisa mais natural do mundo.

Essa garota me fascina de um jeito que chega a ser perigoso. E não me refiro apenas àquela obsessão territorial que me faz querer trancá-la longe dos olhos do resto do mundo - embora eu não tenha blefado em nenhum momento quando afirmei, com todas as letras, que ela é inteiramente minha.

O verdadeiro fascínio reside no fato de que, em um mundo corporativo maldito onde absolutamente todos à minha volta abaixam a cabeça e me tratam com uma reverência quase covarde, Hannah ignora solenemente a minha autoridade.

A desgraçada me desarmou desde o primeiro dia. No cotidiano, ela me trata como se eu fosse o seu caixa eletrônico particular, o seu massagista, o seu motorista de luxo ou qualquer outra função conveniente, menos o porra do seu patrão.

E o pior de tudo? Isso, ao invés de ferir o meu ego ou me enfurecer, me faz desejá-la com o dobro de intensidade. Porque no meio de tanta formalidade sufocante e sorrisos plásticos, ela é o caos exato que torna os meus dias mais leves... e, paradoxalmente, a única calmaria capaz de me fazer dormir à noite.

Já são meses nessa rotina secreta. Meses em que eu praticamente invado a privacidade dela, cruzando a cidade no meio da madrugada apenas porque o cheiro doce da pele dela é o único anestésico eficaz contra os meus demônios internos. É uma necessidade puramente egoísta: é bom conseguir dormir a noite inteira sem sentir o outro lado do colchão gelado sob o toque. Mais do que isso, é um milagre conseguir fechar os olhos sem que a insônia resolva ser a minha única companheira até o amanhecer.

- Se está pensando em repetir a dose, chefinho, eu sinto muito... mas eu ainda preciso me recuperar - a voz dela ecoa de repente, quebrando o silêncio. É um tom rouco, sonolento e absurdamente sexy, que se espalha pelo quarto climatizado como uma provocação preguiçosa.

- Achei que estivesse descansando - respondo, a voz saindo ainda mais grave devido à proximidade, enquanto puxo o corpo dela um pouco mais contra o meu.

Ela se acomoda de bom grado no meu abraço, mas um gemido manhoso e arrastado escapa dos seus lábios no momento em que sua bacia se move contra a minha perna. Eu sinto o sutil tremor dos seus músculos.

- Está dolorida? - pergunto, deslizando a mão pela curva do seu quadril besuntado.

Hannah se ajusta na cama, o suficiente para virar o rosto na minha direção e me encarar de frente. A iluminação âmbar do quarto atinge em cheio aquele par de olhos verdes esmeralda, que mesmo na exaustão ainda carregam um brilho nítido de desdém e diversão. O meio sorriso clássico ressurge no canto dos lábios dela - aquela expressão exata que ela usa na empresa quando está prestes a soltar a maior audácia do dia no meio de uma reunião de diretoria.

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