☆ Hannah Brooks ☆
Aos poucos, sinto a gravidade voltar a fazer sentido e minha respiração, antes um caos de suspiros cortados, começa a encontrar um ritmo minimamente normal. O vento frio de Nova York b**e contra as minhas costas nuas, mas o frio não me alcança; as mãos imensas e firmes de Cael continuam cravadas nos meus quadris, um aperto possessivo, pesado, que já se tornou a sua marca registrada.
Ele não me solta.
É como se, após o estalo de pólvora que acabou de explodir entre nós, ele precisasse garantir que eu ainda estou exatamente ali, sob o seu domínio silencioso.
Ainda sinto a pele dele quente como brasa contra a minha, nossos corpos suados e enroscados no design minimalista daquela espreguiçadeira luxuosa, como se estarmos nus no topo de Manhattan fosse a coisa mais comum do mundo.
A respiração dele também vai se acalmando, o peito largo batendo contra o meu em uma cadência que vai retornando ao ritmo comum, embora eu consiga sentir o eco da adrenalina ainda correndo nas veias dele.
Lentamente, sinto uma de suas mãos abandonar a minha cintura e subir por minha coluna. O toque, que antes era uma força bruta de contenção, agora se torna deliberadamente delicado. Os dedos calejados dele traçam círculos invisíveis contra a minha pele sensível, me causando pequenos arrepios involuntários ao longo da espinha.
- Tudo bem? - a voz dele ecoa baixa, um trovão contido que ressoa direto no meu ouvido, fazendo meu peito vibrar. - Como se sente, tendo tido o controle da situação por alguns minutos?
Posso ouvir um riso leve e rouco escapando dos lábios dele. É um tom sutil, quase imperceptível de provocação, mas que carrega toda a arrogância do homem que sabe exatamente o terreno onde está pisando.
- Foi interessante - respondo, afastando a cabeça do peito dele apenas o suficiente para encará-lo nos olhos, sustentando o olhar com a mesma audácia de antes. - Você só esqueceu um pequeno detalhe, chefinho: eu sempre estou no comando.
Cael arqueia uma das sobrancelhas, e aquele sorrisinho de canto, perigoso e terrivelmente sexy, ressurge em seus lábios, iluminado pelos LEDs subaquáticos da piscina.
- Tem certeza? - pergunta, a sutil provocação pairando no ar, desafiadora.
- Absoluta - digo, deixando um sorriso moldar meus lábios enquanto o encaro de frente, recusando-me a recuar um milímetro sequer no nosso jogo.
Ele não diz nada. Por dois segundos intermináveis, ele apenas me encara. O tempo parece simplesmente parar à nossa volta; o barulho distante da metrópole lá embaixo desaparece e eu me perco por completo na imensidão daqueles olhos azuis que pareceram escurecer sob o céu noturno.
Até que, sem qualquer aviso, a calmaria dele se transforma em ação.
Sinto meu corpo ser erguido do móvel com uma facilidade ridícula, a força física dele me pegando de surpresa. Em um reflexo puramente defensivo, enrosco minhas pernas ao redor da sua cintura e passo meus braços pelo seu pescoço.

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