O policial ergueu os olhos para ela.
— Por enquanto, estamos apenas colhendo os depoimentos. A classificação do ato só será definida depois que investigarmos os fatos do caso.
Cynthia mordeu o lábio inferior, seus olhos úmidos revelando uma profunda inquietação.
Pouco tempo depois, alguém entrou e sussurrou algo no ouvido do policial.
O policial olhou novamente para Cynthia, desta vez com um traço de compaixão.
Um dos agentes disse a ela:
— Por favor, espere lá fora um instante.
— Certo. — Um pressentimento ruim começou a se formar no coração de Cynthia.
O olhar daquele policial havia sido estranho.
Cynthia não esperou muito tempo no banco do lado de fora antes que dois policiais viessem lhe informar que ela seria detida por lesão corporal dolosa.
Seus olhos se arregalaram em choque.
— Como isso é possível? Foi ele quem tentou me assediar! Eu agi em legítima defesa!
— Ele tentou te assediar? Você tem provas? — um deles perguntou com frieza.
— Eu... — Cynthia pensou por um momento. — A lanchonete tem câmeras de segurança. Vocês podem verificar as gravações.
Assim que ela terminou de falar, viu Luís, à distância, dar um sorriso sinistro.
O coração de Cynthia apertou.
Será que ele havia adulterado as câmeras?
Como esperado, no segundo seguinte, o policial disse:
— Já verificamos as câmeras da lanchonete. Elas estavam quebradas. Não há provas de que ele tentou assediá-la.
— Você pode pagar uma fiança para ser liberada.
Cynthia perguntou, atordoada:
— Quanto é a fiança?
O policial disse um valor.
A mente de Cynthia ficou em branco, e ela permaneceu paralisada no lugar.
De onde ela tiraria tanto dinheiro?
De repente, ela pensou em alguém.
Yadson.
O amigo dele não disse que ele era filho da família Fernandes?
Ele se levantou imediatamente, trocou de roupa e dirigiu-se apressadamente para a delegacia.
Quando Anselmo chegou, Cynthia já havia terminado seu depoimento.
Ao entrar, ele a viu sentada em um canto, pálida e com os cabelos desgrenhados.
Anselmo sentiu uma pontada no coração.
Ele se recompôs e se aproximou, sua voz tão fria como sempre.
— Você está bem?
— Anselmo... — Cynthia ergueu os olhos para encará-lo, seu rosto pequeno sem cor alguma.
Sua voz tremia.
— Foi... foi ele quem começou. Ele tentou abusar de mim. Para me defender, eu o acertei com uma garrafa... A polícia disse que serei detida...
A expressão de Anselmo tornou-se gélida.
— Calma. Vou entender a situação primeiro.
Anselmo começou a conversar com os policiais.
Cynthia ouviu por um tempo, depois baixou os olhos e mordeu o lábio, encarando a ponta de seus sapatos.
Ela só ligou para Anselmo porque realmente não tinha outra escolha.

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