Cynthia limpou a última mesa, preparando-se para encerrar o expediente.
Seu chefe, Luís França, aproximou-se cambaleando, completamente bêbado.
— Cynthia, que tal dar uma volta comigo depois do trabalho? — Luís sorriu com malícia, seus olhos a percorrendo de cima a baixo.
— Chefe, já terminei. — Cynthia desamarrou o avental. — Estou de saída.
Luís estendeu a mão para segurá-la, e o hálito de álcool que emanava dele a encheu de náuseas.
— Ah, Cynthia, você é tão linda. Se ficasse comigo, eu te daria quatro mil por mês de mesada. Você não precisaria mais fazer bicos. Que tal?
Cynthia desviou-se de seu toque.
— Por favor, se dê ao respeito.
— Não fique brava por eu ter sido rude quando você pediu folga da outra vez. — O cheiro de álcool era forte enquanto os olhos de Luís a fitavam. — Minha esposa estava do meu lado, eu não tinha outra escolha.
Cynthia colocou o avental dobrado de lado.
— Meu expediente acabou. Estou indo.
— Ei, não vá. Estou falando com você! — Luís tentou agarrá-la novamente.
Cynthia o ignorou e caminhou decididamente em direção à porta da lanchonete.
A raiva tomou conta de Luís, e seu olhar tornou-se feroz em um instante.
— Pare de se fazer de santa na minha frente! — Xingou ele, irritado. — É uma sorte eu ter me interessado por você. Para uma estudante pobretona como você, ter alguém querendo te bancar já é um luxo, e ainda fica se fazendo de difícil.
O homem mais velho avançou e agarrou o pulso de Cynthia com uma mão, enquanto a outra se movia em direção ao seu peito.
Aterrorizada, Cynthia usou a outra mão para bloquear o ataque.
— Se continuar, eu vou chamar a polícia!
— Chame depois que eu me divertir! — O rosto de Luís estava contorcido em uma expressão vulgar, seus olhos cheios de desejo.
O homem se lançou sobre ela como um lobo faminto.
Luís havia planejado tudo aquilo. Os outros dois funcionários já tinham ido embora. Ele deliberadamente deu mais tarefas a Cynthia, fazendo-a sair vinte minutos mais tarde que o usual.
Todos os outros já haviam partido.
Apenas Luís e Cynthia restavam na lanchonete.
A garrafa de cerveja na mão de Cynthia se estilhaçou, e os cacos irregulares mancharam-se de sangue.
— Sua vadia desgraçada, você se atreveu a me acertar! — Os olhos de Luís estavam injetados de sangue, e um filete vermelho escorria de sua testa.
Meia hora depois.
Na delegacia.
Luís, com a cabeça enfaixada, cooperava docilmente com a polícia enquanto prestava seu depoimento.
Cynthia, por sua vez, apertava nervosamente a barra de sua roupa, respondendo a tudo que os policiais perguntavam.
— Eu trabalho de meio período no restaurante dele.
— Faz quase dois anos.
— Ele sempre agiu normalmente. Não sei por que ele fez isso hoje.
— Nossa relação é estritamente profissional, de chefe e funcionária. Nunca tivemos contato fora do trabalho, e eu nunca dei a ele qualquer tipo de esperança. Eu preciso muito de dinheiro, e meu trabalho lá é apenas para ganhar a vida.
— Hoje, do nada, ele disse que queria me bancar. Quando eu recusei, ele me atacou. Senhor policial, isso não é legítima defesa?

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