Quando saíram da delegacia, flocos de neve começavam a cair lá fora.
Era a primeira neve do ano em Porto do Sopro Solar.
O céu, cinzento, parecia coberto por um véu fino e translúcido.
Os flocos caíam leves, como açúcar de confeiteiro polvilhado do céu.
Cynthia seguia Anselmo, mantendo uma distância de dois ou três passos entre eles.
A garota fungou, dizendo com a voz baixa e desanimada:
— Anselmo, obrigada pelo incômodo hoje.
Anselmo respondeu em um tom neutro:
— De nada.
O vento cortante, carregado de partículas de neve, entrava por sua gola, fazendo Cynthia encolher o pescoço de frio.
Ela fechou o zíper de sua jaqueta de inverno até o topo, escondendo o queixo na gola.
— Vou encontrar uma maneira de te pagar o dinheiro da fiança.
— Certo. — O homem caminhou com suas pernas longas em direção ao Maybach estacionado na rua.
Cynthia o seguiu obedientemente.
— Eu realmente não tive a intenção de machucá-lo hoje. Ele estava bêbado e tentou se aproveitar de mim. — Explicou Cynthia.
— Sim, eu sei. — Anselmo abriu a porta do passageiro. — Entre.
O homem usava um sobretudo preto e óculos de aro dourado. Seu rosto não exibia expressão alguma, tornando-o frio e inacessível.
Cynthia sentou-se no carro, constrangida.
— Obrigada, Anselmo.
Anselmo entrou pelo outro lado.
Hoje, ele mesmo estava dirigindo.
Cynthia sentia-se mal por tê-lo incomodado tanto e disse em voz baixa:
— Sinto muito por te dar tanto trabalho a esta hora.
A voz de Anselmo permaneceu fria e distante.
— Não se preocupe. Vou te levar de volta para a universidade.
— Obrigada, Anselmo.
No caminho, Anselmo falou de repente:
— Não trabalhe mais naquele lugar.
Cynthia baixou a cabeça e respondeu apenas com um "sim".
Mesmo que não trabalhasse mais lá, ela teria que encontrar outro bico.
Se não trabalhasse, não conseguiria pagar as despesas médicas de sua mãe.
Cynthia ficou parada, completamente perdida.
Do carro, Anselmo observou a garota andar para frente e para trás, até finalmente parar, atordoada.
Ele hesitou por um momento, depois abriu a porta e saiu do carro.
— O que foi? — Anselmo perguntou com sua voz calma, parando atrás dela.
— O buraco sumiu. — Cynthia se virou para ele, apontando para onde o buraco costumava estar. — Havia uma passagem aqui antes, eu conseguia me espremer por ela.
Uma rajada de vento frio passou, e Cynthia tremeu.
A neve caía mais forte, e a temperatura lá fora já estava abaixo de zero.
— Entre no carro. — Anselmo disse apenas isso e se virou para voltar.
Cynthia ficou parada, hesitando por alguns segundos.
Finalmente, ela se virou e seguiu Anselmo de volta para o carro.
Ela não tinha para onde ir.
Anselmo parou em frente a um hotel cinco estrelas.
Cynthia o seguiu para fora do carro.
Um manobrista se aproximou para recebê-los, cumprimentando-o com um respeitoso "Sr. Machado".
Anselmo jogou as chaves do carro para o manobrista e subiu as escadas.

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