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Três Anos de Casamento Frio: Quando Pedi o Divórcio, Foi Você Quem Desabou romance Capítulo 2

— Pa... pai!

Um garotinho de dois ou três anos caminhava na direção deles.

Ele estava sendo carregado por uma mulher de meia-idade.

A mulher nos braços de Sérgio Serra se virou para olhar para trás.

Havia um sorriso doce e radiante em seu rosto.

Isabel Ribeiro conhecia aquela mulher.

Era a única pessoa que Sérgio sempre guardou no fundo do coração.

Flávia Cruz... ela tinha um filho.

Essa constatação explodiu na cabeça de Isabel como uma bomba.

Há três anos, sua avó a arrastou até a família Serra para forçar um casamento.

Sob enorme pressão, Sérgio acabou aceitando o acordo.

Todo mundo dizia que a família Ribeiro usou uma dívida de gratidão para chantageá-los.

Diziam que, para se aliar à poderosa família Serra, os Ribeiro haviam separado dois apaixonados.

Mas ninguém sabia o quão eufórica Isabel ficou na época.

Sobre o romance dele com Flávia Cruz, Isabel realmente não sabia de nada.

Ela só descobriu depois do casamento.

Se soubesse, quando o Sr. Gustavo Serra perguntou se ela gostava de Sérgio, ela nunca teria dito que sim.

Nunca teria deixado que ele fosse forçado a se casar com ela.

Amor forçado não dá certo.

Mesmo que precisasse brigar com a própria família até as últimas consequências, ela não teria dado aquele passo.

Isabel não pôde evitar lembrar do dia do casamento, três anos atrás.

Sérgio colocou a aliança no dedo dela com total descaso.

Ele sussurrou no ouvido dela, com a voz carregada de gelo e indiferença:

— A família Ribeiro precisa de dinheiro do Grupo Serra, e eu preciso de uma esposa apresentável. Só isso.

Naquela época, ela, ingênua, achou que o casamento era o começo de algo novo.

Acreditava que aquele garoto, que um dia foi a luz da sua vida, só precisava de tempo para aceitá-la.

Mas, depois de três anos ao lado dele, aquele coração de pedra continuava intocável.

Ela nunca conseguiu aquecê-lo.

Sérgio amparou Flávia enquanto caminhavam até o menino.

Ele pegou a criança no colo e a envolveu com o próprio sobretudo.

— O colo do papai é tão quentinho.

As suspeitas de Isabel foram confirmadas em voz alta.

Seu coração foi esmagado no mesmo instante, reduzido a pó.

Em três anos de casamento, ela tinha vivido uma ilusão sozinha.

Sérgio nunca havia dado a mínima para ela.

Durante todo esse tempo, Flávia Cruz sempre foi o espinho no casamento deles.

Um espinho intocável, que só afundava cada vez mais na carne.

Isabel ficou paralisada ao lado da porta do carro.

Assistindo àquela cena, o frio cortante do inverno não chegava perto do gelo que tomou conta de sua alma.

O motorista fez menção de avançar, mas ela o puxou pelo braço, impedindo-o.

Flocos de neve caíam sobre o rosto dela.

Ela já não sentia frio.

Apenas ficou ali, rígida no meio da nevasca, observando aquele quadro familiar perfeito a poucos metros de distância.

— Entrem logo no carro, as mãos de vocês estão congelando.

O vento, carregado de neve, batia contra o seu rosto de forma fria e implacável.

Como se fosse um tapa atrás do outro, acordando-a para a realidade.

O motorista viu o carro sumindo na estrada e começou a entrar em pânico.

A neve só piorava.

Se a montanha fosse fechada, eles não conseguiriam descer por dias.

Afinal, naquelas condições, era difícil tanto subir quanto descer.

— Senhora, você está com pouca roupa, e ainda por cima está machucada. Como vai aguentar esse frio? É melhor a gente tentar apertar lá com o Diretor Serra... Ele só não te viu.

Apertar?

Sérgio provavelmente aceitaria, mas ela não queria.

Isabel observou o carro de Sérgio se distanciando cada vez mais.

De repente, um sorriso despontou em seus lábios.

Ela riu da própria ilusão.

Riu por parecer um palhaço patético.

Não pôde deixar de lembrar das palavras que sua mãe costumava lhe dizer.

— Isa, a única coisa que não se pode forçar na vida é o amor verdadeiro.

— No casamento, não existe certo ou errado. Eu não culpo o seu pai, e você também não deve guardar rancor. Só com o coração leve a gente consegue viver em paz.

Isabel olhou para a montanha coberta de branco.

Ela soltou um suspiro profundo, o ar formando uma nuvem branca de condensação.

— Me desculpe. Acabei envolvendo você nessa confusão hoje.

Depois de dizer isso, ela deu o primeiro passo para a frente.

A cada passo que dava, seu coração ficava mais determinado.

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