Ao ouvir a voz de Isabel, o coração de Sérgio falhou uma batida.
O que ela estava fazendo ali?
Luana, ainda segurando a mão da amiga, soltou um riso de escárnio.
— Será que o Diretor Serra reconheceu a voz da própria esposa e perdeu a coragem de entrar?
Melissa franziu a testa, confusa.
— Do que vocês estão falando? Vocês conhecem o meu genro?
Sérgio deu um passo para dentro do quarto, com Flávia Cruz logo atrás dele.
Ao ver Isabel, uma emoção complexa cruzou o rosto de Sérgio.
— O que você está fazendo aqui?
Isabel deu um sorriso amargo.
— A minha mãe está internada aqui há três anos. É tão estranho assim eu estar aqui?
A sua própria sogra estava internada ali há três anos, e ele, como genro, nunca tinha feito uma única visita. E a primeira vez que pisava no hospital era fazendo o papel de marido de Flávia Cruz, para garantir um quarto para a mãe dela.
— Sérgio, o que está acontecendo? Quem é ela?
A expressão de Sérgio ficou rígida. Ele lançou um olhar para Flávia.
Flávia, compreendendo a situação e agindo com docilidade, começou a empurrar a cadeira de Melissa para fora.
— Mãe, vamos dar uma volta e olhar o jardim primeiro. Deixe o resto com o Sérgio. Ele vai resolver tudo.
— Diretor Serra, você quer mesmo que a sua sogra atual desocupe o quarto para a sua futura sogra?
A voz de Isabel saiu fria, com um sorriso irônico nos lábios.
Sérgio nunca tinha visto Isabel naquele estado e, por um momento, não soube como se explicar.
Ele se virou para o diretor do hospital.
— Diretor Souza, por favor, encontre outro quarto VIP. Se alguém estiver disposto a ceder, eu pago a compensação.
O Diretor Souza hesitou, constrangido.
— Diretor Serra, vou fazer o meu melhor.
Sendo um homem astuto, o diretor logo percebeu a tensão no ar e saiu apressado para resolver a situação.
De repente, restaram apenas Isabel, Sérgio e Luana no quarto.
O olhar de Sérgio varreu Luana, revelando um leve desconforto. Ao notar a expressão gelada de Isabel, ele perguntou de forma contida:
— Como está a situação da sua mãe?
— Está ótima. Caso contrário, por que o diretor nos pediria para desocupar o quarto?
Assim que atendeu, a voz ansiosa de Talita soou do outro lado:
— Isabel, a que horas você vem para a empresa?
Percebendo a agitação na voz da assistente, Isabel perguntou:
— O que aconteceu?
— O Gerente Neto, do departamento de marketing, acabou de ligar. Ele disse que o projeto do resort Bela Vista foi suspenso.
Isabel congelou. Situações como essa já haviam acontecido antes, mas um projeto da magnitude do Bela Vista não poderia ser cancelado da noite para o dia.
— Estou a caminho. Quando eu chegar, nós conversamos.
Ela havia dado o sangue pelo projeto Bela Vista. Do esboço inicial à versão final, ela nem sabia quantas vezes havia refeito os desenhos.
Mesmo naqueles dias de cólicas tão fortes que a impediam de ficar com a coluna reta, ela cerrava os dentes e continuava até finalizar as plantas e montar o modelo 3D.
Um cancelamento repentino era um golpe difícil demais de engolir.
Quando Isabel chegou à empresa, Talita a esperava ansiosa na entrada.
Os outros podiam não saber, mas Talita tinha visto de perto todo o sacrifício de Isabel por aquele projeto.
— Isabel, o Gerente Neto só mandou avisar que a empresa não vai mais fazer o projeto. Que absurdo é esse? Nós demos o nosso máximo, e eles cancelam tudo sem nos dar a mínima explicação!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Casamento Frio: Quando Pedi o Divórcio, Foi Você Quem Desabou