Quando Isabel chegou à clínica de repouso, já eram nove horas da manhã.
Dona Lopes estava esperando no corredor, andando de um lado para o outro.
— Isa, o médico ainda está examinando a sua mãe.
Isabel entregou a bolsa para ela e entrou apressada no quarto.
Às vésperas da formatura, Isabel tinha sido selecionada pelo orientador da faculdade.
Ela iria participar do projeto de restauração das ruínas do Mosteiro de Santa Aurora.
No caminho para o local da escavação, o carro sofreu um grave acidente.
Se sua mãe, Rosamaria Ribeiro, não tivesse se jogado em cima dela para protegê-la...
Isabel, com certeza, já estaria prestando contas a Deus.
No acidente, sua mãe sofreu ferimentos graves e entrou em coma.
O seu tio materno morreu na hora.
Após a tragédia, a mãe não acordou mais.
Os médicos avisaram que ela provavelmente ficaria em estado vegetativo e pediram que a família se preparasse para o pior.
Isabel ainda nem tinha conseguido processar o luto.
Logo em seguida, seu pai trouxe a amante e o filho bastardo para morarem dentro de casa.
Para piorar, usou o dinheiro do tratamento de Rosamaria e o sustento da família do tio falecido como chantagem.
Tudo isso para forçar Isabel a se casar com Sérgio Serra e garantir os lucros da empresa da família.
Na época, Isabel achou que estava matando dois coelhos com uma cajadada só.
Poderia se casar com o homem que amava e ainda proteger seus entes queridos.
O que ela não imaginava era que o coração de Sérgio já pertencia a outra.
Sua mãe só abriu os olhos seis meses após o acidente.
Nessa altura, Isabel já estava casada.
Por conta de graves danos cerebrais, Rosamaria acordou, mas não recuperou a consciência.
Ficava o dia inteiro olhando para o nada, com o olhar vazio.
Por isso, ela morava na clínica de repouso há todos esses anos.
No quarto, o médico terminava de examinar Rosamaria.
Isabel olhava para a figura imóvel na cama, com o coração apertado.
— Doutor, como ela está?
O médico balançou a cabeça de leve, pensativo.
— A exposição ao frio causou uma febre alta. Mas não deveria ser motivo para ela estar nesse coma profundo.
— Todos os sinais vitais estão normais, como se ela estivesse apenas dormindo. — continuou ele. — Não precisa se desesperar agora, vamos deixá-la em observação.
O diagnóstico do médico deixou Isabel ainda mais aflita.
Quem é que consegue dormir desse jeito, sem reagir a nada, por mais que a chamem?
Mas a única coisa que podiam fazer no momento era esperar.
Assim que o médico saiu, sua melhor amiga, Luana Lima, ligou.
— Amiga, já voltei de viagem! Vou te buscar na hora do almoço para a gente comer.
Descobriram que o que ela havia engolido eram pílulas para dormir.
Depois que o susto passou, a tensão no corpo de Isabel desabou de uma vez.
Sua energia foi completamente drenada.
Luana observou o rosto mortalmente pálido da amiga e ficou preocupada.
— Isa, você está passando mal?
Isabel assentiu de leve.
— Peguei uma gripe. Dona Lopes acabou de me dar um antitérmico.
— Como você pegou gripe assim do nada? — Luana levantou a mão e encostou na testa dela. — Você está fervendo!
Luana abraçou a amiga com força.
Durante todos aqueles anos que Rosamaria esteve internada, ninguém da família Ribeiro foi visitá-la.
Isabel teve que carregar o mundo inteiro nas costas, sozinha, resolvendo tudo.
Não tinha uma única pessoa com quem pudesse contar.
O pai dela era um homem frio e sem coração.
Se Isabel não tivesse se casado com o herdeiro dos Serra, ele já teria cortado a ajuda de custo de Rosamaria e da família do tio há muito tempo.
Luana sempre achou que as coisas melhorariam depois do casamento.
Afinal, Isabel tinha se casado com a sua paixão secreta.
Quem imaginaria que Sérgio Serra escondia outra mulher no coração?
E, para piorar, que ele odiaria a própria esposa por achar que ela havia destruído o romance dele.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Três Anos de Casamento Frio: Quando Pedi o Divórcio, Foi Você Quem Desabou