A cadeira de rodas rolou sobre o chão de mármore, fazendo um leve som de atrito.
O jovem mestre da família Freitas parecia carregar uma aura única. Sem precisar elevar a voz, ele não só assumiu o controle da situação, como também fez a fúria irracional de todos se acalmar instantaneamente.
Os dois seguranças recuaram de imediato.
Vânia Viana ergueu a mão, limpou lentamente o sangue que borrava sua visão e olhou para o homem na cadeira de rodas.
Ele tinha olhos calmos e elegantes, negros como obsidiana banhada por uma chuva de primavera, gentis e serenos. Usava óculos de armação dourada sobre o nariz reto. Por trás das lentes, seu olhar encontrou o dela sem piscar. Sem dizer uma palavra, ele fez uma leve ondulação surgir no fundo dos olhos congelados dela.
— Rafael? Está tão frio lá fora, por que você saiu? — Sr. Pedro, ao ver o neto mais velho, deixou de lado a pose autoritária e voltou a ser apenas um avô carinhoso.
— Rafael! Sua saúde é frágil, não pode pegar friagem!
Laura Rodrigues ignorou a própria dignidade e correu até o filho, lançando um olhar furioso para o assistente. — Jarbas, como você cuida do jovem mestre?! Se acontecer alguma coisa com ele, você vai assumir a responsabilidade?!
Jarbas abaixou a cabeça. — Sinto muito, senhora.
— Mãe, não culpe o assistente Jarbas. Fui eu quem insistiu em sair.
Rafael Freitas desviou o olhar do rosto ensanguentado de Vânia Viana, sua voz soando branda e neutra. — Deixem a Sra. Domingos ir embora. Ela já foi julgada pela lei e já cumpriu sua pena.
— O que aconteceu com a Beatriz acaba aqui. Não dificultem mais a vida dela.
Todos ficaram em choque, sem conseguir acreditar no que ouviam!
Se fosse qualquer outra pessoa dizendo isso, até daria para entender. Mas ele era o irmão de sangue de Beatriz! Diante da mulher que causou a morte da própria irmã, ele estava simplesmente deixando para lá? Como ele podia ser tão magnânimo?
Laura Rodrigues tinha os olhos vermelhos de ódio. Seus lábios tremiam muito, mas no fim, ela não disse nada.
Kelly Nunes deu passos curtos até se esconder atrás de Rafael Freitas. Inclinou-se e abaixou a voz:
— Irmão mais velho, mas a tragédia da Beatriz foi toda por culpa dessa mulher...
Rafael Freitas baixou os longos cílios. — Se vocês a matarem, a Beatriz vai voltar? A Beatriz foi a garota mais bondosa e gentil que já conheci. Vocês acham que, lá do céu, ela gostaria de ver vocês usando o nome dela para humilhar uma garota indefesa, da mesma idade que ela?

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