— Três segundos. Todo mundo fora! — Isaque Ribeiro acenou com a mão, limpando o local de forma autoritária.
Os convidados calaram-se aterrorizados e rapidamente deixaram a sala VIP.
João Freitas mantinha uma expressão impenetrável em seu rosto escultural, digno de um deus.
Com uma das mãos no bolso, ele cruzou a sala com passos longos e sentou-se no sofá, mergulhando nas sombras.
Como uma fera à espreita, ele exalava uma aura sombria e gélida, pronta para despedaçar qualquer um que ousasse se aproximar.
Os cílios molhados de Vânia Viana tremeram. Ela conseguiu, com muito esforço, ver o rosto dele.
João Freitas estava exatamente igual a três anos atrás. Não havia mudado nada.
Apenas ganhara um ar mais denso e cínico, exalando ainda mais maturidade e perigo.
De repente, sua respiração falhou.
Aquele homem familiar que ela vira no Cemitério Santo Antônio da Paz, enquanto visitava sua filha... Era ele!
— Isaque, esse é o seu presente surpresa? Exótico até demais. — Sandro Dourado sentou-se ao lado de João Freitas, disfarçando o sobressalto nos olhos.
— Se o presente não fosse especial, nosso Sr. João se daria ao trabalho de vir até aqui?
Isaque Ribeiro estalou os dedos, e seus subordinados prontamente serviram bebidas para os dois.
Ele olhou para Vânia Viana com um ressentimento ardente nos olhos.
— João, eu trouxe ela pra você. Pode fazer o que quiser com ela. Eu cuido de limpar a bagunça.
— Se não fosse por ela, nossa irmãzinha Beatriz não teria...
Sua garganta travou. Ele não conseguiu terminar a frase.
Sandro Dourado franziu a testa e permaneceu em silêncio, apenas virando uma dose de bebida.
João Freitas mantinha os cílios baixos. Seu rosto perfeito estava banhado por meia-luz, e seus olhos pareciam um abismo gélido.
— Lembro muito bem que ela foi condenada a quatro anos. Quem diria que sairia em apenas três.
— Que merda de lei é essa? Ficar presa uns diazinhos conta como punição?
Isaque Ribeiro agarrou a garrafa de bebida da mesa de centro e a quebrou com violência.
Os cacos afiados voaram em direção a Vânia Viana, cortando sua bochecha.
— Vânia Viana, não ache que só porque a lei pegou leve, você vai poder viver em paz agora.
— Mesmo que você não possa pagar com a própria vida pela vida da Beatriz, eu vou garantir que cada dia que você respirar nesta terra seja pior que o inferno!



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