Vânia olhou para os olhos cintilantes do homem e as respirações se misturaram.
Ela viu os lábios finos e um pânico nos olhos dele.
— Vânia Viana, você não tem problemas só na visão, tem problemas na cabeça.
João usou os dedos para apertar a pele delicada dela. — Você é paranoica? Por que eu a beijaria sem motivo?
Ele mentiu.
Vânia abaixou os olhos marejados e não o expôs.
O homem ficou irritado por causa da indiferença dela e apertou mais o corpo contra ela. — Eu a beijei para ter controle, você acha que eu tocaria em você de outra forma? Pare de inventar coisas.
Suas explicações eram desculpas.
— Entendi, eu me conheço.
Vânia abriu os lábios, movendo os cílios. — Eu só perguntei, não precisa se irritar. Sou a pecadora da família Freitas, estou cega e qualquer um da sua família pode me maltratar.
Ela se humilhou.
Ouvir aquilo fez João ficar desconfortável.
O homem estava prestes a falar, quando a porta da saída de emergência foi aberta.
Uma luz branca apareceu, seguida da voz de José:
— Vânia? Você está aí?
As pupilas de Vânia encolheram e seu coração parou, e o suor saiu pelo pescoço branco.
Ela reagiu de pressa, pôs a mão trêmula no bolso e desligou o celular.
No segundo seguinte, José pegou o celular para ligar, mas não completou.
Senão, no silêncio do corredor, não haveria como se esconder.
Mas João achou que ela queria escapar do seu controle.
João cerrou os olhos e seus beijos bloquearam os lábios trêmulos de Vânia.
Dominador e feroz.

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