Zoé não esperava que ele voltasse de repente e travou de forma constrangedora. — João, eu...
Os lábios dele subiram ligeiramente, o rosto exibia total rigidez: — A senhora sabe muito bem que essa mulher é uma inimiga da família Freitas. Chamá-la aqui para dentro da nossa casa... quer se voltar contra toda a família ou pretende ficar contra o seu próprio filho?
Colada a ele, Talita percebeu a tensão nos seus músculos. Ele exalava uma aura gélida.
Estava claro que tentava conter a sua ira.
Talita comprimiu os lábios, desconfiada.
Se fosse antes, ela acharia que ele estava irado com Vânia.
Mas, ao conviver com ele, não conseguia compreendê-lo muito bem.
Embora o relacionamento deles fosse aceito por ambas as famílias e estivessem na fase de planejar o casamento, a maior intimidade entre eles era andar de braços dados. Não existiam beijos nem toques físicos.
Se fossem os ex-namorados que ela teve no exterior, eles estariam transando o dia inteiro.
Ela tentava se consolar pensando que João demorava a se soltar e que não precisava ter pressa. Depois que casassem, não dormiriam em quartos separados o resto da vida, dormiriam?
Vânia continuou olhando para o chão, com medo de encarar o homem.
Ele possuía uma intimidação nata. Ela estava receosa de que, se ele a encarasse por mais tempo, descobrisse a sua atuação.
Zoé sentiu um pingo de medo. — João, eu nunca te trairia. Eu só fiquei com medo de...
— Não precisa dar explicações. Sei muito bem o que a senhora estava pensando.
João soltou o seu braço do aperto de Talita com discrição, deu passos largos e caminhou até a Sra. Freitas. — Esta é a primeira vez. E espero que seja a última.
Daqui em diante, não quero ver essa mulher nos Jardins do Sol.
O coração de Vânia palpitou e uma amargura inexplicável surgiu em sua boca.
Ela mordeu o interior do lábio, se segurando, escondendo as suas emoções inquietantes.

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