No ar, o silêncio era de partir o coração.
Sandro olhou para baixo, encarando o rosto pálido de Vânia. Os cílios molhados pelas lágrimas cobriam pela metade os olhos amendoados e escuros, como se uma poeira fina tivesse os coberto naquela luz amarelada. Seria difícil recuperar os momentos em que brilhavam como estrelas.
Seu peito afundou por um instante e ele respirou fundo de forma discreta, mas foi difícil conter o aperto no coração que crescia.
Só de ouvir já era de embrulhar o estômago. Parecia que os últimos três anos dela tinham sido no purgatório na Terra.
Que tortura dolorosa ela deveria ter sofrido, presa naquilo.
— Você merecia morrer, porra! Eu devia encher sua boca com aquele remédio para você pensar direito! — Cesar sempre conheceu as regras perto do presidente, mas desta vez não conseguiu segurar o xingamento.
— Então o objetivo de Jade Lobato não era eu. Era a minha filha.
Havia um ódio vermelho misturado às lágrimas de Vânia, que não paravam de cair: — Se me envenenassem até a morte de quebra, ótimo. Se eu não morresse envenenada, seria porque tive sorte.
Mas a Nádia era muito pequena, muito fraca. O leite do meu corpo estava cheio de remédio envenenado, que acumulou com o tempo. Como ela ia aguentar... como?
— Não sei... Eu realmente não sabia que eles queriam a vida do seu bebê!
Helena cobriu o rosto com as mãos e encostou a testa no chão, chorando e arrependida: — Se eu soubesse... nem por todo dinheiro do mundo eu faria isso!
Srta. Viana... me desculpe...!
— Não quero que você peça desculpas.
Vânia ergueu o queixo de leve, forçando-se a não deixar as lágrimas caírem: — Se você realmente se arrepende e quer mesmo redimir seus erros, faça um favor para mim no futuro.
A verdade era como pedras caindo de um penhasco, atingindo o coração quase partido de Vânia de forma cruel.
Se Sandro não a tivesse apoiado, ela nem teria forças para descer as escadas.

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