— Sér... Sérgio... — Os lábios pálidos de Estrela se abriram, cheios de lágrimas, tentando chamá-lo.
Mas a dor era tanta que ela não conseguia dizer uma frase completa.
— Não fale, deixe comigo.
Sérgio ofegava. Ele tirou seu casaco preto de lã, envolveu suavemente o corpo de Estrela e perguntou com a voz rouca: — Onde está a ambulância?
O policial respondeu: — Chegará a qualquer minuto, capitão Dourado!
Sérgio cerrou os punhos como pedras, com os olhos vermelhos e furiosos. Levantou as longas pernas e chutou brutalmente um dos homens, com tanta força que os intestinos do cara pareceram dar um nó. — Seu filho da puta! Você encostou nela? Fale!
Os policiais se entreolharam, um pouco chocados.
O capitão Dourado não costumava perder o controle emocional assim. Aquela noite, ele estava diferente.
— Não... Não deu tempo...
O homem confessou, aterrorizado: — A gente tinha acabado de tirar a calça, não fizemos nada...
Sérgio soltou um leve suspiro de alívio, mas as feridas de Estrela pareciam muito graves. Suas sobrancelhas franzidas continuavam sem relaxar.
Logo, a ambulância chegou. Os paramédicos colocaram Estrela na maca e a embarcaram.
A figura alta e robusta de Sérgio pulou direto lá para dentro, acompanhando Estrela até o hospital.
A garota não tinha ninguém com ela, ele não ficaria tranquilo.
— Capitão... Dourado... — Estrela, com os olhos semicerrados, chamou-o trêmula.
— Estou aqui. — Sérgio prontamente se inclinou.
O rosto bonito e bem delineado estava muito, muito perto dela.

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