Vânia Viana vestiu as mesmas roupas do dia em que foi presa e atravessou os portões da penitenciária.
A cem metros dali, sob a sombra de uma grande árvore, o carro do seu marido, José Domingos, estava estacionado.
Mas, naquele momento, o veículo de luxo que eles haviam comprado juntos — com a placa escolhida a dedo para combinar com a data do aniversário dela — balançava violentamente.
O coração de Vânia pareceu ser esmagado por arames farpados. A dor foi tão aguda que ela prendeu a respiração.
No banco de trás, pela fresta da janela entreaberta, o pé delicado de uma mulher deslizou para fora.
Com o ritmo cada vez mais frenético dos solavancos, um sapato de salto alto caiu trêmulo no chão.
O secretário, que montava guarda do lado de fora, correu para recolher o sapato.
Ao se curvar, ele deu de cara com Vânia Viana, de pé e imóvel sob o vento gelado. Em pânico, ele esmurrou a porta do carro:
— Senhor José! A sua esposa saiu!
Do início ao fim, Vânia apenas assistiu à cena com uma frieza cortante, o olhar vazio, sem a menor faísca de emoção.
O carro de luxo parou de balançar. A porta se abriu e José Domingos desceu, alto, elegante e vestindo um terno impecável.
Ele tentava agir como se nada tivesse acontecido, mas a gravata torta e o rubor que ainda manchava suas bochechas denunciavam a intensidade do que acabara de fazer no banco de trás.
Três anos se passaram e aquele homem não havia mudado nada. Na verdade, parecia ainda mais vigoroso e radiante do que antes de ela ser presa.
Pelo visto, andou se alimentando muito bem da vitalidade alheia.
— Vânia... — murmurou José Domingos ao encará-la, o suor quente em seu corpo gelando instantaneamente.
No segundo seguinte, uma mulher desceu do carro. Ela vestia o paletó largo do homem sobre os ombros e tinha o rosto corado de desejo. Com total naturalidade, ela entrelaçou o braço no de José.
As pupilas de Vânia dilataram. Seu coração, já cheio de cicatrizes, finalmente se estilhaçou por completo, fazendo suas entranhas tremerem.
Camila Lacerda. Sua ex-melhor amiga.
Na época em que estava na casa de detenção, sofrendo interrogatórios exaustivos, ou quando foi espancada e humilhada na prisão... toda aquela dor somada não chegava perto da humilhação que sentia neste exato momento!
— Não fique tão tenso, José. Você esqueceu? A Vânia não consegue mais enxergar. — Camila lançou um olhar de escárnio para Vânia, ficando nas pontas dos pés para beijar a mandíbula tensa do homem.
Ouvir aquilo fez o semblante de José relaxar um pouco. Evidentemente, ele se sentiu aliviado. Ainda assim, por respeito à esposa ali presente, ele soltou o braço de Camila.
O descontentamento ficou estampado no rosto da amante.
Mas ela tinha razão. No segundo ano de sua pena, Vânia havia ficado cega.
Sua filha, Nádia, que nasceu enquanto ela cumpria pena, foi diagnosticada com uma doença cardíaca grave. O choque devastador e a depressão profunda desencadearam uma cegueira psicogênica.


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