— O papai não abandonou você e a mamãe, foi a mamãe quem não quis mais ficar comigo — disse Norberto, decidido a ter uma conversa franca com a filha, pois não podia deixar que a menina pensasse que ele não a amava mais.
— E por que a mamãe não quer mais ficar com você? Não é porque você fez alguma coisa errada? — A cabecinha de Delfina raciocinava rápido.
— É, o papai cometeu alguns erros, seguiu por caminhos errados, e sua mãe tem toda a razão em estar magoada comigo — admitiu Norberto, que ficara sem palavras com a resposta da filha, transparecendo um leve constrangimento em seu rosto bonito.
— Então por que você ainda pergunta? Se errou, é só admitir. A mamãe é uma pessoa muito compreensiva. Mas acho que ela realmente não quer mais você, percebi que ela nem tem falado com você ultimamente. — Delfina suspirou como um adulto. — Ai, o que a gente faz? A mamãe também deve estar muito triste.
— Você acha que ela ficaria triste? — Norberto duvidou.
— Claro que sim. Ela amava muito, muito o papai antes, mas como o papai não a amava tanto assim, é lógico que ela ficaria triste — afirmou Delfina, com o rostinho muito sério.
— Ela me amava? — Norberto sentiu como se tivesse ouvido a coisa mais absurda do mundo. — Você ainda é muito pequena, não entende dessas coisas.
— Entendo sim! Quando eu estava na creche, a mamãe me ensinou a escrever o seu nome. Ela até me contou que, antigamente, também passava o tempo escrevendo o seu nome, letra por letra — argumentou Delfina, cheia de convicção.
— É mesmo? — O coração de Norberto pareceu ser atravessado por uma súbita corrente elétrica. Isso tinha mesmo acontecido? Como ele nunca soubera de nada?
— Papai, você não pode simplesmente ser alguém de quem a mamãe goste? O que foi que você fez de tão errado? — No fundo, Delfina não queria que os pais se separassem, pois amava os dois.
— Eu... Você ainda é muito nova para entender, um dia o papai te explica — esquivou-se Norberto, sentindo o rosto esquentar de repente diante do questionamento da filha.
— Eu não quero explicações, você só precisa se entender com a mamãe. — A cabecinha de Delfina ainda não era capaz de processar relações adultas tão complexas.
— Pode deixar, o papai vai fazer isso — suspirou Norberto, suavemente.
Hera já estava deitada naquela cama de hospital havia dez dias. As flores na mesa de cabeceira haviam sido trocadas por cinco tipos diferentes e, com o passar dos dias, o número de visitantes foi diminuindo gradativamente.
Ela continuava acompanhando os assuntos da Apex. Alfredo Matos estava ocupando o seu cargo temporariamente, e, ao ouvir o nome Alfredo, Hera sentiu um alívio imediato, pois ele era alguém da sua total confiança.
Era a terceira vez que Alfredo ia ao hospital. Ele trazia uma cesta de frutas e um buquê de flores. Ao bater na porta, Dona Zara foi atender e, ao vê-lo, abriu um sorriso: — Olha só, o Sr. Matos chegou.
— Dona Zara, por favor, desça e compre mais um pacote de lenços de papel para mim — pediu Hera, que estava tomando um caldo nutritivo quando Alfredo entrou e pousou a tigela.
Dona Zara entendeu a deixa e retirou-se discretamente.
— Entre, não fique aí na porta — disse Hera.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......