— Tereza, que coincidência! Hoje é você quem veio buscar a criança. — disse Tristan. Ao vê-la de pé ao lado do carro, ele estacionou rapidamente e caminhou em sua direção.
Tereza sorriu para Tristan e estava prestes a falar, quando a porta do carona se abriu. A figura imponente de Norberto se interpôs entre os dois. Sem deixar claro se era intencional, ele escondeu Tereza atrás de si e comentou, encarando Tristan:
— O Sr. Guedes parece ter muito tempo livre, sempre disponível para buscar a filha todos os dias.
— Sim, o lugar onde eu trabalho não fica longe daqui, e não leva muito tempo para buscar a criança. — respondeu Tristan com um leve sorriso.
— Quem ocupa altos cargos realmente tem muito tempo de sobra. — ironizou Norberto.
O belo rosto de Tristan demonstrou surpresa.
— Não ligue para ele, ele sempre foi de ter a língua venenosa. — disse Tereza, que percebeu as palavras venenosas de Norberto e caminhou diretamente até Tristan.
— Tereza... — Norberto não esperava que ela o humilhasse daquela forma na frente de seu suposto amante, chamando-o de venenoso.
— Você vai buscar a Delfina? Se for o caso, então fique aqui, pois eu preciso voltar para a empresa. Se não for, por favor, vá embora logo. — disparou Tereza, lançando-lhe um olhar por cima do ombro.
— Eu pego ela. Pode voltar para a empresa. — disse Norberto, com um tom de voz aborrecido.
— Eu vou voltar para a empresa, conversamos outro dia. — disse Tereza a Tristan. Ela, de fato, havia recebido uma ligação de trabalho no caminho, então não faria questão de discutir, já que Norberto queria buscar a menina.
— Certo! Dirija com cuidado. — alertou Tristan.
Tereza entrou no carro novamente, deu marcha à ré e virou o veículo para ir embora.
Norberto e Tristan ficaram frente a frente, num clima ligeiramente tenso. A atmosfera pesada só se dissipou quando Tristan atendeu a uma ligação e virou-se em direção ao portão da escola.
Pouco tempo depois, as duas crianças, Delfina Cardoso e Noemi Guedes, saíram caminhando de mãos dadas.
Aquele homem parecia saber como agradar as pessoas. Bastou um simples brinquedo para comprar a confiança da sua filha.
Depois de buscar a filha, Norberto a levou diretamente para a empresa. Recordou-se do que ela havia dito na última vez que jantaram juntos, palavras que perfuraram o seu coração como uma estaca.
— Papai, por que você parece tão tristinho? — perguntou Delfina, deparando-se com ele a colocando sentada sobre a sua mesa de trabalho. A menina fez uma expressão de surpresa, apoiando as duas mãos na mesa e balançando as perninhas de forma rítmica.
— Delfina, o que você acha do papai? — indagou Norberto de maneira séria, sentando-se em sua cadeira e segurando os braços da filha.
— O papai... é muito legal. — respondeu Delfina, inclinando a cabecinha de lado e pensando um pouco.
— Então você não quer mais o papai? — questionou Norberto, com os olhos sombrios, carregados de tristeza e desilusão.
— Foi o papai que não quis mais a mamãe e a mim! — rebateu Delfina em voz alta. Um traço de raiva atravessou o seu rostinho; ela afastou as mãos grandes dele com um tapa e cruzou os bracinhos num gesto de indignação.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......